A violência na escola brasileira: o problema pode estar dentro de casa

“Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema “A violência na escola brasileira: o problema pode estar dentro de casa” Apresente experiência ou proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.”

Texto 1

Até que ponto a violência das ruas penetrou nas escolas do Brasil? Essa questão até agora só podia ser respondida com especulações baseadas em incidentes de maior repercussão, que aparecem na imprensa. Um levantamento realizado pela Unesco, o braço das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura, que será divulgado nesta semana, é o primeiro a examinar a insegurança na escola por meio de estatísticas. O estudo conclui que na maioria dos colégios, sejam eles públicos, sejam eles privados, a violência atingiu tal patamar que os alunos estão tão inseguros na sala de aula como se estivessem na rua. Para chegar a esse diagnóstico, foram entrevistados 34.000 estudantes, 13.400 pais e professores de 340 escolas de catorze capitais durante dois anos. “A violência no entorno da escola chegou a um ponto tão alarmante que ultrapassou os portões e invadiu o ambiente escolar”, diz a socióloga Miriam Abramovay, coordenadora do estudo da Unesco. “Pudemos comprovar também que não passa de mito a ideia de que apenas os estabelecimentos de ensino público convivem com tráfico de drogas, armas e gangues. A situação é bem parecida no ensino privado.”

Os pesquisadores da Unesco consideram como violência na escola agressões, roubos e assaltos, estupros, depredações, armas e discriminação racial. Em décadas passadas, a violência dentro das instituições de ensino era vista como decorrência da rebeldia natural da adolescência. Os primeiros estudos sobre o assunto datam de 1950 e estão repletos de relatos de depredações e respostas malcriadas de alunos indisciplinados. O que antes era rebeldia hoje é crime de verdade. Nunca foi tão fácil o acesso a drogas e armas. Nem sequer é preciso procurar drogas fora da escola, pois muitos estudantes são também traficantes. “Temos alunos na cidade que se matriculam apenas para traficar”, observa Jucinéia Santos, secretária de políticas educacionais do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). “Há aluno que vende crack às 8 horas da manhã. Quem deve a ele pode ser baleado no pátio, na hora do recreio”, diz.

Veja alguns números do levantamento:

* Dos alunos que têm arma de fogo, 70% já levaram seus revólveres para a escola.

* As ameaças contra professores tornaram-se mais constantes e perigosas: 50% do corpo docente de São Paulo e 51% do de Porto Alegre relataram algum tipo de agressão.

* Quatro de cada dez professores atribuem a violência ao envolvimento dos alunos com drogas.

(Adaptado de Veja on-line; acesso em 21/06/2011)

Texto 2

O menino Vitor Fernando Dutra Gumieiro, de 9 anos, foi agredido por cinco garotos da mesma faixa etária dentro da sala de aula e na saída da Escola Estadual Adolfo Alceu Ferrero, anteontem, em São Joaquim da Barra, na região de Ribeirão Preto (SP). Devido à agressão, ele foi internado e passou por exames de tomografia e ressonância magnética em Ribeirão Preto. Vitor terá alta hospitalar amanhã e usará colar cervical por 15 dias.

Segundo a mãe, Kênia Helena Silveira Dutra, de 27 anos, o filho sofre com as brincadeiras de colegas porque é gago. Após a agressão na escola, ele não mencionou nada em casa. Dentro da sala de aula (3ª série), ele foi atingido por um soco, um tapa e um golpe de mochila. Na saída da escola, a inspetora o mandou sair pelos fundos, mas os agressores perceberam e o cercaram, desferindo socos e chutes em seu corpo.

(http://www.estadao.com.br/noticias/geral, acesso em 21/06/2011)

Texto 3

A violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se ativamente contra este fenômeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e aproximar-se mais das crianças. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda essa confusão, estão as crianças, que atuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio.  Meio esse que por vezes oferece modelos de conduta e referências positivas questionáveis.

(Trabalho realizado para o módulo de “A escola e os seus agentes perante a exclusão social” do Doutoramento em Educação Social)

Instruções:

– Seu texto tem de ser escrito à tinta, na folha própria.

– Desenvolva seu texto em prosa: não redija narração, nem poema.

– O texto com até 7 (sete) linhas escritas será considerado texto em branco.

– O texto deve ter, no máximo, 30 linhas.

– O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.