Tema: O culto da beleza física

Leia os textos e faça sua dissertação em prosa, em torno de 30 linhas, sobre o culto da beleza física. É válido, não é válido, é mais ou menos ou outra coisa? E a moda vem de longe…

Coletânea:

1. “O bem-estar, dizem os especialistas, é resultado do equilíbrio do nosso corpo. Quando estamos em harmonia, todas as partes do corpo funcionam direitinho e isso traz resultados positivos em nosso dia-a-dia, no trabalho, nas conquistas, na nossa personalidade, enfim. Uma mulher, por exemplo, jamais poderá se sentir bem estando insatisfeita com a sua aparência. Como alguém pode se apaixonar se reprova a sua própria imagem no espelho?”
(Revista Mais Vida, agosto de 1995)

2. “(…) nunca a beleza foi tão imperativa quanto é hoje – é obrigatório ser lindo, magro, saudável. (…) Por que tal obsessão pela beleza nos dias que ocorrem? Necessidade de afeto, medo da velhice e busca de novas oportunidades profissionais são as expressões-chave para explicar como se chegou a tal situação.”
(Veja, agosto de 1995)

3. “O império da vaidade: ‘Em tempos de ditadura da beleza, o corpo é massacrado pela indústria e pelo comércio, que vivem de nossa insegurança, impotência e angústia. Criou-se uma tirania que não suporta quando um cidadão tenta ser feliz como gosta e como pode, mesmo que seja comendo uma pizza.’”
(Paulo Moreira Leite)

4. “Os cabelos à moda hippie de algumas mulheres dão uma impressão desagradável de relaxamento, as roupas manchadas, as unhas maltratadas e os pés geralmente sujos causam em muitos homens certa aversão. Esquecem-se essas mulheres de que poderiam embelezar o mundo e encantar os olhos e corações masculinos. Os homens de sensibilidade sentem necessidade de estar sempre em contato com a beleza e a harmonia, e quando isso não acontece no seu dia-a-dia, tornam-se mentalmente esgotados, nervosos, ‘enfossados’ e infelizes. A beleza, feminilidade e delicadeza da mulher representam um paliativo na vida atribulada do homem atual.”
(Dílson Kamel e José Guilherme Kamel, A Ciência da Beleza)

5. “O filósofo grego Platão fez eco a Pitágoras, ao dizer que o belo residia no tamanho apropriado das partes, que se ajustavam de forma harmoniosa no todo, criando assim o equilíbrio. Esse ideal estaria personificado em Helena, pivô da Guerra de Tróia (…). De tão deslumbrante, Helena foi elevada à categoria de semideusa no célebre poema épico Ilíada, de Omero. Sabe-se que a beleza da rainha egípcia, esposa do faraó Amenófis IV, que viveu catorze séculos antes de Cristo, também se amparava no equilíbrio das formas. O busto com sua imagem, hoje exposto no Museu Egípcio de Berlim, mostra que tinha o semblante perfeitamente simétrico e perfil bem delineado, além de maças do rosto salientes e lábios carnudos – detalhes que remetem ao conceito atual de beleza feminina. A doutrina grega da beleza comportava, ainda, um outro conceito importante – o da luminosidade. Em Homero, pode-se ler que ‘belas são as armas dos heróis, porque são ornadas e resplandecentes; é bela a luz do sol e da lua, e belo é o homem de olhos brilhantes’. A luminosidade se tornaria, assim, um ideal a ser perseguido, principalmente na pintura renascentista. (…)
A escultura Davi, de Michelangelo, é um dos exemplos mais perfeitos da aplicação da proporção áurea. Foi no século XVIII que nasceu a disciplina filosófica que leva o nome de estética e que se ocupa do belo e da arte. Na segunda metade do século seguinte, as explicações sobre a natureza da beleza tomaram um rumo inesperado com as teorias do naturalista inglês Charles Darwin. Em seu livro A Origem das Espécies, de 1859, ele a definiu como um fator biológico necessário à reprodução dos animais. Hoje, psicólogos evolucionistas defendem suas teorias sobre a beleza calcados na premissa darwiniana de que ela serve para assegurar a sobrevivência da espécie humana. A preferência dos homens por mulheres jovens, de quadris largos e cintura fina – atributos ligados è fertilidade – seria uma forma de garantir a geração de filhos saudáveis. Já as mulheres se sentiriam atraídos por homens altos e fortes, porque esses seriam atributos de bons provedores e de defensores da prole em qualquer circunstância.
Muitos estudiosos vão à frente nessa teoria e afirmam que atualmente, mais do que nunca, a aparência física é levada em conta não apenas no terreno do amor e do sexo, mas em todos os relacionamentos pessoais.”
(Veja, maio de 2004.)

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.