Professores da rede Pública do estado de Goiás decidiram continuar a greve

Professores da rede Pública do estado de Goiás decidiram, em assembléia, (hoje, 14/03) continuar a greve que iniciou dia 06/02, uma vez que o governo não se mostra capaz de resolver o problema que causou no final de 2011, quando na calada, usando métodos escusos, como favorecimento pecuniário a deputados que votassem no projeto de olhos fechados. A retirada de direitos adquiridos, como titularidade, desrespeito ao escalonamento da carreira, não estabelecimento de data-base, dentre tantos outros fatores, causou revolta e indignação em todos os professores do estado de Goiás. Alguns diriam que não são todos os educadores que estão insatisfeitos, uma vez que nem toda a categoria aderiu à greve.

A questão é mais complexa do que simplesmente estar indignado, insatisfeito, revoltado; por diversos motivos, realmente alguns não foram à luta num primeiro momento. Alguns por comodismo, acreditando que conseguiria todos os benefícios da luta dos companheiros sem precisar arcar com alguns consequências que existem no caminho dos que buscam exercer cidadania contra um poder que impõe todos os meios para coibir qualquer manifestação pública de insatisfação. Meios como corte de salários, ameaçar que iria exonerar (sem processo administrativo com ampla defesa?), ameaçar transferir para alguma escola bem longe de sua residência, ameaçar diminuir carga-horária, etc.

Muitos colegas não aderiram ao movimento, também, por não acreditarem na competência do sindicato; em várias escolas, vozes declararam que, embora muito indignado e repudiando a atitude estúpida do governo em fazer o que fez com o plano de carreira, não entraria na luta, pois o sintego nunca ia até o fim com as negociações e depois faziam de tudo para a categoria suspender a paralisação. Muitos não lutaram por estarem ligados politicamente de alguma forma a algum aliado do governador Marconi Perillo. Muitos não entraram por não ser esclarecido o bastante, por não ser cidadão o bastante. Outros por não aguentarem pressão, preferiram só ficar olhando tudo acontecer. Muitos não entraram por falta de uma liderança, pois têm pessoas que são capazes de coisas grandiosas, mas não têm coragem de iniciar nada, precisam ser guiados, precisam de líderes, infelizmente nem todas as regiões têm uma liderança positiva.

Mas, deixando de lado as questões tão oportunas que vez com que um ou outro colega não aderisse; vamos centrar no fato de que mesmo sem a adesão de 100% da categoria, temos mais de 50%, ou seja, temos mais de 15 mil professores lutando, sofrendo consequências inimagináveis, sofrendo pressão, assédio moral, sofrendo coerção, passando por dificuldades financeiras, pois não estão recebendo. Passando a humilhação de ter de largar de fazer o que gosta; agora some tudo isso com a vergonhosa situação de olhar para a comunidade e ser visto como um baderneiro, como alguém que é culpado por muitas e muitas crianças estarem sem aula. Engraçado,  os verdadeiros culpados, Tiago Peixoto e Marconi Perillo estão por aí inaugurando alguma obra politiqueira, mentindo em alguma rádio ou buscando algum jornalista que se preste ao papel antiético de escrever artigos tendenciosos para desmoralizar mais ainda a pessoa digna do educador.

A própria direção do Sintego, ficou balançada na semana passada para aceitar a proposta, sem garantia nenhuma, feita pelo Secretário Tiago, proposta esta que ele confessou que não teria como cumprir, de certa forma, ficou muito mais que provado que palavra de Tiago Peixoto e Marconi Perillo não serve para nada. Uma pena, pois uma das coisas mais valiosas é a pessoa saber cumprir acordos e cumprir a lei. Mas em nosso estado, acabamos de descobrir que tudo segue numa imensa cachoeira de imposição de poder. O mafioso, Carlos Cachoeira, talvez um dos maiores do Brasil,  teve a felicidade de ter tanto poder que ganhou o privilégio de financiar campanhas e nomear muitos e muitos nomes do alto escalão do Governo. Como querer que um governo que tem relação não explicada com mafiosos de todos os tipos; possa resolver problemas reais do estado?

Nesse sentido, mais uma semana se foi, mais uma semana de incompetência do Governo que é muito bom para maquiar fatos e destorcer informações e descumprir acordos do que apresentar soluções concretas. Diante deste fato a categoria, e o próprio sindicato, se sentiu aliviado de não ter suspendido a greve na semana passada. Agora o movimento deve ganhar mais força. Hoje os professores já tomaram a primeira medida mais forte, parando a BR e fazendo com a grande mídia tenha de abrir suas pautas para divulgar que os professores de Goiás estão sendo destratados por esse Governo incompetente.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.