PROFESSORA PRESA POR TRAFICAR RAPADURA

São Paulo – Em  2011, a professora Angélica Jesus Batista, sentiu na própria pele o sábio ditado de que “rapadura é doce, mas não é mole não”.

 

A professora Angélica, há quatro anos, estava no lugar errado, na hora errada e, para piorar, estava com um produto suspeito dentro da bolsa. Em Ourinhos, cidade que fica a 371 quilômetros de São Paulo, o ônibus em que estava nossa amiga, foi parado durante uma operação policial.

A polícia não sabia muito bem o que estava fazendo (ou foi o excesso de saber?), mas tinham informações de que uma mulher iria transportar drogas de São Paulo até a cidade em um ônibus, policiais civis revistaram vários veículos em uma base da Polícia Rodoviária de Santa Cruz do Rio Pardo e nada de encontrar a tal mulher traficante.

Mas por sorte da polícia e por azar de Angélica, em um dos ônibus parados durante a operação, eles encontraram o suposto entorpecente dentro da bolsa da professora. A polícia em êxtase de euforia deu voz de prisão à suspeita ainda mesmo dentro do veículo e ela foi algemada ali mesmo. A policial que algemou Angélica ainda deu um risinho entre lábios para o colega do lado e disse que era muita droga, torceu um pouco o braço da professora para que ela aprendesse e também que os presentes dentro do veículo soubessem que com a polícia paulista é assim: traficante não tem vez.

 

__ A policial parou na porta do ônibus e disse ‘encontramos’. Em seguida, ela me algemou – disse Angélica.

 

Mas o que os policiais pensavam ser crack era na verdade um tablete de rapadura que Angélica levava de presente para o namorado.

 

__ Eu e minha mãe estivemos na Bahia e trouxemos rapadura, requeijão. Era um presente para minha sogra e meu namorado, mas eles confundiram com a droga – disse.

 

Depois do mal entendido a professora foi liberada. Ela registrou boletim de ocorrência por constrangimento. A verdadeira traficante foi presa horas depois em outro ônibus portando 2 kg de crack. O delegado seccional de Ourinhos, Amarildo Aparecido Leal, diz que os policiais usaram o procedimento padrão diante da situação, mas que mesmo assim o caso será investigado.

__Os policiais são obrigados a agir com cautela, mas o caso vai ser analisado. Foi preciso garantir a segurança dos passageiros do ônibus e do próprio policial – diz o delegado.
Angélica até hoje não consegue mais comer rapadura…

 

Fonte: O Globo, matéria de 2011.

 

Mais notícias do “mundo sem noção” aqui.

 

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.