Poesia: Mulheres não merecem rosas

Mulheres, recuso oferecer uma rosa

um cartão, uma frase de carinho,

um beijo no rosto, um abraço,

um sorriso em respeito

a esse dia concedido, apenas hoje?

 

Dia 08 de março, esse único dia?

Acaso não tens direito a tudo isso e mais

em outros dias de minha  mísera vida?

Ser lembrada, honrada, respeitada?

Acaso não estás em tudo em minha vida?

 

Sim, muitas mulheres em minha vida…

 

Mãe… incompreendida, dedicada,

uma existência para minha existência,

um abrir mão de si… de teu corpo,

por mim, tanto por mim,

sem nada em troca,

Um dia seria muito pouco para agradecer.

Seria uma ofensa…

Não quero que aceites de mim só esse dia 08.

 

Esposa…  amiga, companheira

És paciente… não mereço, sei que sou cacto, pedra,

Seu carinho lapida meu ser,

me molda em figura melhor .

Um dia seria muito pouco, em troca

de todos os dias que se dedica

a fazer meus dias mais suportáveis….

Sua presença em minha vida me faz mais humano.

 

 

Companheiras de vocação… nosso labor

Sim, ser na sociedade

o herói,

o vilão,

bênção? Maldição?

Admito que engulo meu orgulho

invejo o amor…

com que conseguem, sem medo, se doar…

guerreiras,  amigas, fortes, visionárias

sei, que sou nada, nisso tudo,

além de mero espectador,

sou duro, frio, bobo,

Sou bruto demais…

Sou estranho no ninho,

Nessa feminina profissão… educador.

 

Filha… que devolveu um pouco da fé perdida,

eu não sou digno de afirmar que ajudei dar-lhe vida;

sou, no entanto, honrado em perceber que renasci

quando, pequenina, em meus braços

abriu olhinhos, que são janelas das quais vejo

possibilidades de futuro melhor…

Cada dia meu vale a pena quando teu sorriso,

de inocente menina me recebe, sua leveza,

deixa mais leve o fardo desse velho corpo,

adoça e preenche um pouco do vazio e esse medo

por perder a esperança a cada dia…

 

Mulheres, perdoem então, se recuso oferecer uma rosa

um cartão, uma frase de carinho,

um beijo no rosto, um sorriso, um abraço,

nesse dia concedido, apenas hoje?

 

Gesto misericordioso, esmola de um dia só?

Aliás, quem penso que sou?

com a ousadia, sem respeito…

de pensar que sou o detentor por direito de macho

de todos os dias do ano?

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.