Odeio confessar que tenho medo

Assusta muito não ter coragem de abrir meus olhos no escuro,
a bocarra da escuridão,
dentes negros engolindo tudo…

A volta de mim, por todos os lados,
um abismo preto por todos os cantos da casa.
Com um apagar de  luz  é tudo devorado,
a cama,
a calma,
a paz,
ficam pequenas flechinhas de luz dentro de mim.

Eu Odeio muito, muito mesmo
confessar que tenho medo.
Detesto cada detalhe dessa imensa covardia…

Bom mesmo seria lutar,
brigar,
gritar,
xingar,
berrar ao menos uma vez…

Queria seguir, uma vez apenas
cabeça erguida, perto dos pontos de luz,
queria só uma vez mais abrir meus olhos e contemplar
aquelas minúsculas lembrançazinhas, quase desbotadas,
recortes,
flashes,
signos,
sabres,
mas tão longe… tão longe…

 

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Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.