O jogo de sedução da publicidade e consumo infatil

Regras exigidas para a redação do Enem

* O aluno não poderá mais fugir do tema;

*  Não será aceito qualquer ilustração ou desenho na folha de entrega da redação para correção – se aluno assim fizer obterá nota zero nessa avaliação;

* O candidato que escrever 7 linhas ou menos em toda a redação, terá rendimento igual a zero no teste;

* Se o candidato colocar qualquer citação dos temas propostos para a redação, a avaliação será automaticamente anulada.

 

Textos motivadores: 

 

A publicidade dirigida à criança

O desenvolvimento da publicidade deu-se como consequência da Revolução Industrial, integrando o conjunto das chamadas Revoluções Burguesas na passagem do capitalismo comercial para o industrial. Sob influência dos princípios iluministas, assinalaram a transição da Idade Moderna para Contemporânea.

Respectivamente, foi surgindo a publicidade de massa, dirigida a um número indeterminado de pessoas, alcançando seu auge no Século XX com o crescimento dos mercados produtor e consumidor em todo o mundo, sobretudo ao surgimento de uma população mundial havida pelo consumo de produtos e serviços.

Esse crescimento do mercado de consumo foi gerado pelo aumento do mercado publicitário, que nos tempos atuais faz parte do cotidiano e influencia as pessoas não somente no tocante aos produtos e serviços que irão adquirir, mas também com relação a questões comportamentais da sociedade. A publicidade é, de fato, capaz de alterar hábitos antigos da sociedade, e por isso justifica os elevados investimentos que nela é feita pelos mais diferentes tipos de anunciantes.    

Quando tratamos de qualquer relação de consumo que envolva crianças como consumidoras, estas serão consideradas presumidamente hipossuficientes, sem necessitar de um prévio julgamento da causa, providas de inúmeros direitos e proteções. Estes aspectos vão além, devido à criança ser considerada também mais vulnerável que um adulto ao poder de persuasão, em razão de sua condição de pessoa em desenvolvimento intelectual.

A publicidade direcionada ao público infantil sustenta esforços profissionais carregados de atrativos na sedução do consumidor infantil, um poder de persuasão e obtenção de reconhecimento junto ao universo infantil, pela intermediação de brinquedos, dos personagens infantis e da marca. Esses fatores despertaram nas empresas o interesse em produzir meios de consumo para o público infantil.

Dados revelam que as crianças possuem dentro de seu núcleo familiar 70% das decisões de compra, e representam para as empresas fidelização de consumo para o futuro, tornando-as dependentes do produto. Houve a constatação de grande influência das crianças na compra de diversos produtos, especialmente alimentos 92%, brinquedos 86% e roupas 57%. No ano de 2000, 71% dos pais afirmavam sofrer a influência dos filhos na hora das compras. No ano de 2003, o índice subiu para 80% nesta pesquisa, com 38% influenciando fortemente na decisão. Na escolha da marca, 63% deles influenciam nas compras, sendo que metade das crianças com idade entre 07 e 13 anos influencia de maneira exagerada.

A indústria alimentícia usa personagens licenciados para aumentar a venda de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sódio ao público infantil. Esse foi um dos dados levantados pela pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em outubro de 2010, que avaliou a qualidade nutricional de alimentos industrializados com apelo ao público infantil. Foram analisados 44 produtos de 27 marcas, dos quais 37 apresentavam quantidades elevadas de nutrientes não saudáveis.

http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10235

O jogo de sedução

Mas, voltemos às crianças. Como dito, a publicidade explora aquilo que de mais frágil há em nós. Por quê, então, tamanho interesse no mundo infantil? Já podemos supor que haja nas crianças uma fragilidade ainda maior, em relação ao mundo adulto. Mas pondero que a fragilidade não é só das crianças. Brevemente, informando que 80% das compras domésticas passam diretamente pela vontade da criança, pondero que há nos pais também grande fragilidade. De contato com as crianças, de conhecimento sobre o que se passa no mundo infantil, de autoridade. Houve uma completa inversão de posições. Quem manda são os pequenos. Está nessas fragilidades o principal interesse das corporações. Seduzindo as crianças há uma enorme possibilidade de “reter na fonte” o salário dos pais. Há muito menos barreiras. Tanto na própria psique infantil quanto na relação destas com os pais.

Vimos anteriormente que a publicidade seduz, explora os mais primários desejos de nosso inconsciente. Mas, se for assim, por que nas crianças haveria maior vulnerabilidade? As crianças não dispõem do leque de possibilidades existenciais que os adultos dispõem. Para elas, é muito mais difícil visualizar o rol de possibilidades que estão à sua escolha, e acaba refém daquela que se apresenta no seu dia-a-dia e no cotidiano de seus colegas, justamente através do discurso publicitário. As necessidades grandemente exploradas no mundo infantil são a do pertencimento e da identidade. Ambas fundantes da vida em sociedade. Pois não há sociedade sem união de pessoas em grupos e não há sociedade em que não seja possível reconhecer-se como indivíduo perante o outro.

http://luz.cpflcultura.com.br/a-publicidade-e-o-consumo-infantil,11.html

Publicidade para crianças agrava obesidade infantil

O aumento do consumo de alimentos industrializados e o sedentarismo são apontados como as principais causas da obesidade infantil. Somado a isso está o tempo que as crianças passam em frente à TV todos os dias.

As crianças brasileiras acumulam 3 horas e 31 minutos, por dia, diante da telinha e são recordistas no mundo, à frente inclusive das americanas, segundo pesquisa realizada em nove países. Durante esse período são incentivados a consumir, inclusive alimentos, como biscoitos e refrigerantes.

A coordenadora do projeto Genética de Transtornos Alimentares da Universidade de São Paulo, Sophie Deram, alerta para a lógica da indústria de alimentos. “Os alimentos têm que ser interessantes para ser comprados. A América Latina foi considerada com o crescimento mais promissor do mercado de alimentos e bebidas. No Brasil, essa industrialização infelizmente trouxe um monte de alimentos muito palatáveis, muito interessantes, especialmente para os nossos jovens, que estão consumindo uma quantidade absurda de bebidas doces e refrigerantes. Essa foi a maior mudança dentro da alimentação das nossas crianças”

Consumo de refrigerantes

O consumo de refrigerantes no Brasil é de 86 litros por habitante, por ano, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas não Alcoólicas. O de sucos e chás prontos para beber é de 43,7 litros.

Ana Claudia Bessa tem 42 anos e dois filhos, de oito e dez anos. Ela reclama do bombardeio a que as crianças são submetidas diariamente, desde que tinham em torno de três anos. Ela integra o Coletivo de Mães Infância Livre de Consumismo, movimento iniciado há dois anos em reação a ideia de que só os pais são responsáveis pelo que as crianças consomem.

Ana Claudia considera a publicidade nociva por passar conceitos errados a pais e crianças, especialmente no tocante à alimentação. “Eu vou citar um exemplo de uma publicidade que me deixa muito nervosa. A do Sustagen Kids. Uma criança com um prato de comida na frente, acho que é couve, aí a criança olha pro prato e…aí a mãe fica com aquele drama que só mãe sabe o que é um filho que não come comida, aí ela saca o copo de achocolatado, dá o achocolatado pro filho e o filho toma o achocolatado e fica todo mundo feliz. Olha a injustiça que acontece, olha a desigualdade, estamos fazendo competir um copo de chocolate com um prato de couve. É muito difícil a gente educar nossos filhos quando vem uma propaganda e diz ‘sua mãe não precisa te dar comida, é só tomar o chocolate’.”

http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2014/03/publicidade-para-criancas-agrava-obesidade-infantil

Projetos na Câmara

Há 13 anos, o deputado Luiz Carlos Hauly apresentou projeto de lei para regulamentar a publicidade infantil (PL 5921/01). A proposta já passou por três comissões e aguarda votação na última, a de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Hauly afirma que sua intenção com a proposta é conter abusos. “Principalmente na televisão, que acaba induzindo ao consumismo. Há um conflito entre querer e poder muito grande. No Brasil, temos as melhores agências de publicidade e as melhores propagandas do mundo, o que acaba criando um ímpeto, um estímulo ao consumismo em famílias que não têm poder aquisitivo.”

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tentou regulamentar a publicidade de alimentos ricos em gordura e sal por meio de resolução, mas o documento foi questionado na justiça. A Advocacia Geral da União questiona a competência da Anvisa e aponta a necessidade de uma lei federal sobre o tema.

Além do projeto que restringe a publicidade direcionada às crianças, há outras propostas sobre o tema em discussão na Câmara como a que obriga a divulgação de advertência sobre obesidade em embalagens de produtos altamente calóricos (PL 1480/03) e a que obriga a afixação de cartazes de advertência sobre a obesidade em estabelecimentos que comercializem alimentos “fast food” (5674/13).

http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2014/03/publicidade-para-criancas-agrava-obesidade-infantil

Instruções:

Seu texto tem de ser escrito à tinta, na folha própria.

– Desenvolva seu texto em prosa: não redija narração, nem poema.

– O texto com até 7 (sete) linhas escritas será considerado texto em branco.

– O texto deve ter, no máximo, 30 linhas.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.