O Ensino noturno Brasil: um pedido de socorro

Se já não vai tão bem o Ensino Público matutino e vespertino. Agora, feche os olhos e vislumbre todos os tropeços do chamado “ensino” noturno: alto índice de reprovação e evasão, baixa aprendizagem, baixa frequência por parte dos alunos, péssimo desempenho nas provas oficiais do Governo Federal (Saeb, Enem), é realmente a pedra no sapato de todos os governos que estão vendendo a alma para aumentar o índice do Ideb. Imagina o desperdício de energia, de recursos humanos, sem falar no desperdício de investimentos (merenda escolar, material didático, giz, espaço físico, etc). Sim. Ainda não conseguimos implantar ou encontrar uma maneira eficaz de se trabalhar com a escola pública noturna.

Só para se ter uma ideia, um levantamento feito pelo Instituto Ayrton Sena, mostra que “no curso diurno, a idade média no primeiro ano, é de pouco mais de 16 anos. À noite, quase 19. E 23% dos que estudam durante o dia estão com pelo menos dois anos de atraso no curso. No noturno, mais da metade: 53%. O tempo médio em classe, é de 308 minutos por dia, contra 232 minutos por noite. E a taxa de abandono triplica. De 5,5% no diurno para 16,4% no noturno.”

Sem falar que no período diurno, “apenas um, de cada quatro alunos também trabalha, além de estudar. Entre os que vão para a escola à noite, são quase 70%”. Vamos fingir que esses dados não fazem diferença?

Com a promessa de que em breve tempo as escolas no Brasil serão integrais, já podemos imaginar o quão assustador será o destino do que resta do que chamamos escola noturna.

A melhor opção seria implantar uma modalidade de ensino diferenciada. Com um tempo de permanência diária menor, currículo adaptado a este público, e com um ano a mais no Ensino Médio. Sim, seria interessante estudar a proposta de que uma das saídas seja implantar uma modalidade alternativa com 4 anos. Outra proposta, seria implantar cursos profissionalizantes no horário noturno e oferecer um Ensino Médio que garantisse ao menos uma profissão a esses estudantes, o que não impediria que de posse desse certificado, ainda, os que quisessem poderiam, pleitear um curso superior.

O que não podemos é ficar o resto da vida fingindo que estamos oferecendo, aos alunos do noturno, a mesma qualidade de ensino e as mesmas oportunidades que oferecemos aos outros estudantes dos períodos matutino e vespertino.

 

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.