Número 1051200

1.051.200 horas a teu lado
E ainda não te desvendei…
Sei do sabor, da textura, do calor
… do teu beijo…
Sei da cor, do cheiro, do gosto
… da tua pele…

Sei, sim, das ondas dos teus cabelos…
Mas ainda não te decifrei…

Também sou incapaz de decodificar
O enigma que traz o timbre
…de tua voz…
Quando ao acaso diz meu nome…
O prazer do som de cada letra
em tua boca é poesia…
é coisa boa
é boa música no meu dia…
e não tem preço…

Mesmo, às vezes, teu silêncio é conforto…
Sei que mesmo no silêncio estás tão perto
Tão ao alcance…
Tão próxima…
Tão paz…
Essa calma, essa leveza
Com que teu corpo desloca no espaço…

Esse não sei o quê indelével
Esse porquê ou quando
Alguma coisa inominada
Conspira e cruza dois caminhos…
Inexplicável força…
Que ainda a faz estar aqui
mesmo depois de 1.051.200 horas…

Sinto paz quando teus olhos
Miram nos meus…
Por um milésimo de segundos
Teu olhar dessa cor incomum
Essa luz que transborda
Essa luz aveludada…
Luz boa, macia
Atravessa meu ser
E só por um instante
Me atemoriza que não me vejas
a mim… por inteiro…

Ou pior, que esse olhar
Simples assim, já desnude
Já desvele meus segredos…

toda verdade minha, sim, sonho enquanto vivo
Sou mísero e sonho e acordado sonho…
E nesse sonho que sonho enquanto vivo
vou querer acordar…
… e daqui outros dez anos
ver que ainda estás por aqui…
Deitada ao meu lado em cada amanhecer…

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.