Segunda, 15 de outubro de 2018
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Política

22/09/2018 às 21h19 - atualizada em 22/09/2018 às 21h23

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Cláudio Bertode

JARAGUA / GO

O PODER DE UMA TRISTE FICÇÃO
Às vezes, só é preciso criar um bom enredo...
O PODER DE UMA TRISTE FICÇÃO

Às vezes, só é preciso criar um bom enredo, com heróis e vilões para que a vida real fique toda embaralhada, chego a perceber que alguns até acreditam no que foi narrado, por uma fração de segundos até eu, inclusive eu, queria acreditar na possibilidade real do que lemos nas postagens de alguns amigos. Uma boa narrativa é capaz de nos transportar, guiar nosso olhar, VEROSSIMILHANÇA É TUDO. Nas redes sociais, na mídia, em pequenos grupos de debate político, todos repetem a ficção de que somos, pela primeira vez, uma nação de heróis, guiados por pessoas confiáveis e ilibadas, lutando CONTRA A CORRUPÇÃO. E nesse mundo paralelo, a corrupção tem rosto, é fácil de ser identificada, ela tem sigla, tem cor de bandeira, tem logomarca. Esse discurso e ação, no entanto,  não se sustentam, deixa-me decepcionado, uma vez que inconscientes , alguns dos leitores,  disseminam discurso de ódio e defendem uma JUSTIÇA SELETIVA na pátria tupiniquim. 


 


Ontem ouvi uma pessoa que admiro muito dizer: ESSE É O PRIMEIRO CORRUPTO, apenas, AGORA VAMOS COM TUDO ATRÁS DOS OUTROS. Hoje li outra pérola: DEPOIS QUE A MÁGUA PASSAR AS PESSOAS QUE DEFENDEM BANDIDO podem vir com a gente colocar os outros na cadeia. Mas não há ninguém lutando contra todos os corruptos, contra todo ato de contravenção das leis por parte de políticos. Nesse discurso passa a ideia de que estamos diante do que foi apenas o primeiro passo. 


É bonito, mas não existe esse movimento contra a corrupção. O que existe é uma narrativa de que a esquerda é corrupta e de que a direita é salvadora. Há até uma certa confusão entre esquerda e comunismo. Depende muito do contexto, na maioria deles esses conceitos não são sinônimos. Eu, por exemplo, sou alguém de esquerda, mas não sou COMUNISTA, mas não sou bandido, inclusive respeito todo mundo, respeito e defendo liberdade de expressão, não dissemino preconceitos, trabalho, pago minhas contas, MAS EU DEFENDO, sim, um país com melhor distribuição da renda, defendo justiça social. Só por que alguém não defende algo parecido é melhor que eu como pessoa? Alguém tem o direito de me odiar por defender meu conceito de sociedade justa? TRISTE. 


 


Queria muito que houvesse uma luta contra toda espécie de corrupção, de desrespeito das leis por parte dos governantes, mas infelizmente esse ódio contra o ERRADO é só uma narrativa que até traz um bom enredo, mas que não se sustenta no BRASIL real.


 


CLÁUDIO BERTODE

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