Mundo estranho: Cachoeira pede a Demótenes Torres para socorrer Thiago Peixoto

Carlos Augusto Ramos, conhecido como Cachoeira e que com outros comparsas está preso pela Operação Monte Carlo, que investiga exploração ilegal de jogos, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, suborno, fraudes em licitações do governo, dentre outros; em telefonema, ordena ao senador Demóstenes Torres (sem partido) solicitar uma nota na coluna Giro, do jornal O POPULAR, em defesa do secretário Thiago Peixoto (Educação). A gravação telefônica grampeada e transcrita pela Polícia Federal está no inquérito da Operação Monte Carlo e foi realizada no dia 14 de março de 2011.

Na mesma época, Thiago Peixoto estava sofrendo uma forte pressão e muitas críticas pelo único projeto que aprovou na câmara nos poucos meses que foi deputado em 2010. O projeto, que só se tornou público quando Thiago já era secretário de Educação, o mesmo foi muito criticado por deputados, professores e pais de alunos. Este maravilhoso projeto acabava com o limite de alunos em sala de aula nas escolas particulares. O Popular na época revelou, inclusive, que grande parte dos doadores para campanha de Thiago Peixoto havia sido por parte de grandes Colégios Particulares de Goiânia; sendo plausível ele querer retribuir o favor aos amigos doadores.

O próprio O Popular revela que “no dia do telefonema entre Cachoeira e Demóstenes, O POPULAR havia publicado entrevista com o secretário da Educação, com o título Thiago critica reação de deputados, em que ele criticava a reação de seus colegas ao seu projeto de lei.”

“Na época, Thiago também sofria bombardeio político por ter decidido deixar o PMDB, partido pelo qual se elegeu deputado federal em 2010, para assumir cargo no governo. Segundo constava gravação telefônica grampeada pela Polícia Federal, o senador afirma que atenderia o pedido do empresário. Depois, em outra ligação, em que o diálogo não foi transcrito no inquérito,Demóstenes retorna para Cachoeira confirmando ter repassado a nota para a coluna do jornal chamada Giro.

Em 15 de março 2011, dia em que o senador assumia a liderança de seu partido no Senado, o Giro publicou entrevista com o senador, em que ele defende o secretário da Educação. Com o título Apoio do DEM, o texto traz a seguinte informação: “O senador Demóstenes Torres (DEM) entra em cena para defender (Thiago) Peixoto: ‘Precisa sair deste bombardeio para implantar os projetos para a educação pública de Goiás’”, disse.”

Escrito por Jarbas Rodrigues Jr, de O Popular.

Uma coisa temos que admitir, Thiago Peixoto está mostrando que é um homem politicamente forte; ou existe algo mais que ainda não veio à tona. Mesmo com toda a insatisfação por parte dos professores, descontentes com o fato de que Thiago não tem nenhum preparo para coordenar a educação do estado; inclusive desencadeando uma greve de mais de 50 dias que provocou todos os transtornos na comunidade em geral e consequentemente prejudicando todos os alunos do estado.

Mesmo, a comunidade entregando a Marconi Perillo, um abaixo-assinado com mais de 65 mil assinaturas; mesmo alguns telefonemas grampeados pela Operação Monte Carlo, mostrando forte indício de envolvimento de Thiago com Cachoeira; até mesmo suspeita de que o Secretário teria repassado projetos de escolas para o grupo de Cachoeira com o intuito de alugá-las superfaturadas depois para o Governo.

Mesmo telefonema mostrando que houve ao menos 9 nomes da SEDUC indicados pela máfia de Carlinhos. E agora, mais essa, e ainda assim Marconi Perillo finge que nada está acontecendo. Thiago Peixoto ainda não foi exonerado, não foi demitido. Realmente, é um homem de costas quentes. Por muito menos Marconi exonerou Eliane, sua chefe de gabinete que trocava torpedos e telefonemas com Cachoeira. Por muito menos exonerou o Presidente do Detran que tinha negócios estranhos com a máfia de Carlinhos. Por muito menos ainda Perillo exonerou Ronald Bicca seu procurador de estado que adorava processar jornais e revistas para fazer censura à qualquer divulgação a respeito dos envolvimentos de membros do Governo com a máfia; mas que, também tinha relação suspeita com a máfia da Operação Monte Carlo . Estranho, muito estranho isso tudo. O que será que Marconi está esperando? Ou será que Thiago sabe de coisas que os jornalistas ainda não sabem?

Confira a transcrição da conversa telefônica entre Demóstenes e Cachoeira:

DEMÓSTENES: Fala professor!
CARLINHOS: Te dar uma dica aqui. Por que você não sai em defesa do Thiago nisso aí? Nesse (ininteligível) que tá tendo ai. Você viu no jornal hoje?

DEMÓSTENES: Não. Vou ler.
CARLINHOS: Dá uma… uma nota no Giro lá, uai! Lê aí pro cê ver. Estão batendo nele aí na lei que Estado nenhum tinha isso, pô. Agora só Goiás.

DEMÓSTENES: É. exatamente! A melhor maneira é acabar com essa lei. Né?
CARLINHOS: Já acabou com a lei.. com a restrição. Mas é que ele tá sofrendo … eles estão batendo nele aí… é importante a sua ajuda pra ele agora. Lê ai pra você ver.

DEMÓSTENES: Falou. Pode deixar. Eu leio e dou uma nota em favor dele aí. Falou?
CARLINHOS: Tá. Excelente! Um abraço .

DEMÓSTENES: Um abraço. Tchau.

Comentários

  1. Brandão

    Desde o próprio irmão do Marconi Perillo, o Toninho Perillo, sua Chefe de Gabinete Eliane Pinheiro, presidente do Detran Edvaldo Cardoso (o Caolho), vários Deputados aliados e de seu próprio partido, seu aliado Demóstenes Torres, muitos do do 1º escalão como o Procurador do Estado Ronald Bicca, estão entrelaçados, envolvidos até o pescoço com o grupo mafioso de Cachoeira. Ronald Bicca, enquanto era procurador do Estado, ficou morando em uma casa cedida por Cláudio Abréu e posteriormente por Cachoeira. Ele foi para o cargo por indicação do Cachoeira e ficou ali, defendendo interesses do grupo mafioso. O envolvimento do governo do estado com o grupo mafioso do Cachoeira, se deve muito, ao investimento financeiro do grupo nas campanhas do tucano Marconi Perillo. Com isso, Cachoeira ficou tendo direitos no governo e, Bicca é fruto disso.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.