Minha herança

 

 

Do meu velho e bom avô

Herdei esse cantar

Cantar rouco e dissonante

feito no peito uma dor exposta,

que é mais um grito aprisionado

dolorido na garganta

 

Obsessivo prazer por modas de viola

Batidos de palmas de catira

Infância em meio a vacas

Esse eterno aôooa de aparto de bezerros

Esse zumbido de cigarras, em cada fim de tarde

 

Esse jeito triste no andar e na fala,

falar caipira, caminhar caipira,

Esse sarcasmo, esse prazer

por mínimas causas,

por demais perdidas…

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.