Marconi Perillo e Thiago Peixoto e o legado para a educação de Goiás

 

 

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que o Sr. Tiago Peixoto, foi o responsável por implantar o jeitinho Marconi na Educação.

 

Dentre os pilares estão:

 

1. O suposto Pacto pela educação,

2. Reestruturação do plano de carreira com retirada de direitos adquiridos como titularidade por pós graduação, especialização, mestrado e doutorado,

3. Parcelamento de data base,

4. Implantação de sistema de meritocracia com a criação de um suposto bônus meritocrático,

5. Fechamento de bibliotecas e laboratórios de informática,

6. Unificação do currículo do Ensino Médio,

7. Criação de caderno educacional,

8. Programa reescrevendo o futuro, dentre outros.

9. Placa de Ideb na porta da escola,

10. Sistema de avaliação Diagnóstica,

11. Cumprimento de metas e aumento de Ideb do estado.

 

Vamos a uma análise ponto por ponto:

1. O Pacto pela Educação:

 

Não houve um debate a respeito de nenhum dos reais problemas enfrentados pelos educadores de Goiás, nem a respeito da realidade da educação em nosso estado. Nenhum professor foi chamado a debater, nenhuma escola foi convidada. Nunca foi explicado nem por Marconi nem por Thiago Peixoto como que se cria um pacto sozinho, sem diálogo nem análise de sugestões. Ou seja, nunca houve um real pacto, no muito um projeto o qual foi imposto, inclusive com algumas denúncias de assédio moral. Repito, houve imposição e não um pacto como é afirmado por Thiago Peixoto e Marconi Perillo.

 

 

2. Reestruturação do plano de carreira com retirada de direitos adquiridos como titularidade por pós graduação, especialização, mestrado e doutorado,

Marconi Perillo, um ano antes havia prometido que não iria haver destruição de plano de carreira como o PSDB fez em outros estados, como por exemplo, em São Paulo e Minas Gerais.

E o que aconteceu no final daquele ano?

Marconi Perillo e Thiago Peixoto votaram na Câmara, às pressas, de maneira escusa, uma nova lei que destituía o antigo plano de carreira do magistério de Goiás e criava um novo plano de Carreira.

 

 

Ao destruir o antigo plano de carreira, retirou-se todas as gratificações, incorporando o valor das mesmas como salário, Marconi e Thiago quiseram fazer acreditar que estavam, sim, cumprindo o pagamento do piso federal.

Marconi Perillo foi um dos únicos governadores que resistiram o máximo que puderam, recusou-se a pagar o piso estipulado pelo governo federal, inclusive entrando com recurso no STF pedindo inconstitucionalidade da lei do piso.

Depois que perdeu em todas as instâncias e inclusive o último  recurso no STF, para fingir que cumpriria a lei do piso, quebrou uma promessa de campanha e destruiu o plano de carreira do magistério, cortou gratificações de titularidade (especialização, mestrado, doutorado) e juntou o valor como salário (ou seja, em cada reajuste de data-base vai haver uma perda, já está sendo uma perda salarial enorme ao ano). Para piorar ele não cumpre a data-base de reajuste do piso e teve o disparate de parcelar (já que é lei e o governo de goiás tem de cumprir), nós de goiás ainda estamos recebendo reajuste de 2011.

Pela tabela acima, podemos observar como que Marconi Perillo e Thiago Peixoto fizeram com que os educadores de Goiás ficassem com o 22º pior salário do país, quando comparados com os educadores dos outros estados. Nesses dezesseis anos do grupo marconista no poder, os educadores foram os mais prejudicados pelo jeitinho Marconi de Governar.

 

3. Parcelamento de data-base

O Governador Marconi Perillo e Thiago Peixoto, sancionaram no dia 7 de abril de 2014, a Lei nº 18.417/14, que parcela em duas vezes a recomposição salarial deste ano do funcionalismo estadual. Embora a data-base seja maio, este ano, o governo inovou e fez aprovar o projeto com um mês de antecedência, com isso, o índice de 5,56% será pago a partir de maio (2,74%) e a partir de setembro.

Com exceção de 2012, por causa da greve de 51 dias dos professores, nos últimos quatro anos, a data-base do funcionalismo vem sendo parcelada.

A recomposição de 2011 só será quitada este ano, e a de 2013, parcelada em três anos, só em 2015.

Com o novo parcelamento, o servidor da educação deverá receber em maio, reajuste de 6,62%, sendo: 1,52% referente à última parcela da data-base de 2011; 2,28%, à segunda parcela de 2013; e 2,82%, à primeira parcela de 2014.

O governo ainda ficará devendo ao funcionalismo 5,1% referente à última parcela de 2013 e a segunda deste ano.

Se quiserem, realmente entender a situação, basta pesquisarem o número da lei que citei e lerem pessoalmente o que transcrevi acima.

4. Implantação de sistema de meritocracia com implantação de um suposto bônus meritocrático,

Depois de retirar todas as gratificações existentes na época e incorporar o valor dessas para o cumprimento da Lei Federal do Piso, afirmou-se que haveria um novo modelo de gratificar pelo mérito, mas no novo modelo só poderiam ser contemplados 20% dos professores de cinco em cinco anos, com 5% de gratificação por cada contemplação; podendo, segundo o Thiago Peixoto, atingir ao longo da carreira até 60% de gratificação.

Problemas:

a) Professores com mais de 15 anos de carreira, que perderam suas gratificações, nem se fossem contemplados de cinco em cinco anos, nunca atingiriam esses 60%, pois só teriam mais 15 anos para pleitear, ou seja, perderam de 30% a 40% do que já tinham conquistado de gratificação e nem trabalhando por mais 15 anos com todos os méritos possíveis conseguiriam atingir o que já haviam conquistado.

b) Por favorecer apenas 20% dos professores de uma escola, claro que não iriam ser contemplados, sempre os mesmos nomes de cinco em cinco anos, pois direção muda, mudam coordenadores, mudam gestores, pois, claro que nesse novo modelo, existirá um pouco de política envolvida. Quem possuir inimigos políticos dentro de uma escola, jamais será indicado para merecer pleitear as gratificações. Logo na prática nenhum professor, mesmo os que estejam iniciando na carreira atingirão esses supostos 60%.

5. Fechamento de bibliotecas e laboratórios de informática,

Com o discurso de que lugar de professor era na sala de aula, Thiago fechou todas as bibliotecas e laboratórios de informática. Isso aconteceu, uma vez que todos os dinamizadores eram professores, que por motivos de saúde, falta de qualificação não poderiam estar em sala de aula. Desta forma, todos foram remanejados novamente para as salas de aula, mas o aluno ficou prejudicado, pois inviabilizou o uso da biblioteca e dos laboratórios de informática existentes.

6. Unificação do currículo do Ensino Médio,

A unificação era necessária, uma luta antiga dos professores do estado, uma vez que prejudicava muito o trabalho. Prejudicava o aluno que era transferido, pois os conteúdos não coincidiam.

Problemas:

Como não houve uma discussão, um debate. Como se tratou de algo imposto, de forma antidemocrática, logo gerou um prejuízo enorme ao Governo Federal. Lembrando que o Governo federal distribui material didático gratuito nas escolas públicas. Infelizmente, esse material agora não tem mais muita serventia, uma vez que os conteúdos estão todos trocados na seriação. Por exemplo, parte do material do primeiro ano, só poderia ser trabalhado no terceiro ou no segundo. Ficando desta forma, inviável a distribuição desse material para o aluno.

Esse prejuízo aconteceu de diversas formas, principalmente para o aluno que ficou sem material para estudar em casa, para fazer exercícios. O problema foi causado simplesmente porque Thiago e Marconi, ao criar um currículo sem debater com os professores, permutaram a ordem, por conta própria e arbitrária, dos conteúdos das séries, inclusive matérias do primeiro ano que eram pré requisitos para o segundo e para o terceiro ano, passaram a ser vista no terceiro ano. Outras vezes, o aluno passou a estudar um descritor utilizando uma matéria muito complexa para sua série. Por exemplo, uma matéria que o aluno estaria apto para desenvolver no terceiro ano, passou a ser vista em um descritor no primeiro ano.

A ideia foi boa, uma tentativa de trabalhar com descritores, mas infelizmente, sem material para o aluno praticar e aprofundar seus conhecimentos em casa não houve viabilidade de se realizar um bom trabalho em sala de aula.

7. Criação de caderno educacional,

O próprio Thiago, envergonhado com as tantas críticas, voltou atrás e resolveu discutir o problema. Aceitou que os professores corrigissem os problemas que foram criados no currículo. E houve a promessa de que os próprios professores poderiam elaborar aulas, as quais seriam inseridas em um chamado caderno, ou seja, iria-se criar um material didático próprio dentro da realidade goiana e a luz dos descritores.

 

O material foi criado, os educadores aceitaram a tarefa e criaram o material, muitas e muitas aulas foram elaboradas, destas, foram selecionadas as melhores e foi criado o caderno educacional, no entanto, apenas o professor da turma recebeu um exemplar, isso mesmo, apenas um exemplar. Algumas escolas receberam um único exemplar, sendo que, às vezes haviam três professores. Mais uma vez o aluno não teve material para estudar, para aprofundar os conceitos vistos em sala de aula.

A escola não tinha dinheiro para xerocopiar o material para os alunos ou para todos os professores, o professor não iria tirar de seu próprio bolso para xerocopiar ou imprimir material diversificado da internet para dar conta da tarefa de trabalhar dinamicamente com os descritores cobrados na prova do Saeb.

8. Programa reescrevendo o futuro, dentre outros.

Criação de uma plataforma, para estudo de redação. Boa ideia, mas como sempre mal executada. Foi proposto que o aluno teria uma plataforma on line para postar suas redações. Dois temas seriam postados por mês, o professor discutiria esses temas em sala de aula e o aluno postaria seu texto diretamente na plataforma chamada Reescrevendo o Futuro, e a cada 15 dias, este mesmo aluno teria seu texto anterior corrigido e comentado.

Problemas:

a) O cadastramento do aluno e do professor na plataforma foi um desastre. Demorou quase três meses para começar a funcionar.

b) O aluno colocou seus textos na plataforma, porém a equipe de Thiago Peixoto não conseguiu corrigir nem comentar e o professor ficou sem conseguir explicar ao seu aluno o que estava acontecendo. E sem saber como convencer o aluno a continuar postando textos na mesma plataforma sem vir nenhuma correção de texto. Foi tão desastroso, que no ano seguinte, ninguém comentou mais sobre o projeto. O silêncio sobre tal plataforma foi completo.

9. Placa de Ideb na porta da escola,

Durante a greve dos professores em 2012, Marconi prometeu que, em nome de uma suposta transparência, colocaria uma placa na porta de cada escola do estado com o referente Ideb.

Nossa, o governador que peita cumpriu tal promessa? Sim, de uma maneira meio estranha, sim. Só que cabe ressaltar que no Colégio Diógenes de Castro Ribeiro, em Jaraguá, não há ensino fundamental. A imponente placa que pode ser vista de longe trás apenas o desempenho do nono ano.

Tem gente Maldosa dizendo que divulgar 5,3 é uma maneira de iludir a população de que a educação melhorou. Uma vez que o índice real das escolas de ensino médio não saiu da casa de 2,3.

10. Sistema de avaliação Diagnóstica,

Foi implantado um sistema de aplicação de avaliação diagnóstica para nortear os trabalhos dos educares. Ou seja, aplicar uma avaliação para sabermos quais os descritores que os alunos tinham dificuldade, quais as habilidades e competências que esses alunos ainda não dominavam.

Novamente, uma ideia muito boa que Thiago e Marconi conseguiram não executar corretamente.

a) Thiago contratou equipes de outro estado para elaborar essas avaliações, no entanto a prova foi tão mal elaborada que provocou muito desconforto às escolas, muitos transtornos e, claro o resultado ficou comprometido.

b) Em uma das versões, a prova trouxe como sempre uma série de erros de elaboração, como foram detectados os erros, logo após a impressão da prova, os elaboradores disponibilizaram uma errata que deveria ser distribuída aos alunos, o problema que a própria errata veio cheia de erros e os alunos ficaram confusos, as escolas passaram por vexame perante aos alunos por não ter uma explicação plausível para o problema.

Resultado, apesar de parecer engraçado, foi um vexame para a escola e para o professor que estava aplicando a prova, pois na visão corretíssima do aluno, o professor é um servidor estadual, ou seja, um representante da Secretaria de Educação.

c) Em uma outra versão o tema da redação veio com um texto motivador, mas veio um texto tratando da dengue no Brasil quando o tema era sobre solidariedade ao próximo.

Como resultado, os alunos em todas as edições da prova, ficaram muito confusos, não atingiram os resultados esperados. Uma vez que era criado um gráfico pela equipe de Thiago com os principais erros de alunos, não refletia a verdade, pois nem sempre os alunos erravam as questões da avaliação por não possuírem uma habilidade x ou y e, sim, por má elaboração das provas.

11. Cumprimento de metas e aumento de Ideb do estado.

Sobre melhorar o índice do Ideb, não há o que se discutir. A partir do momento que a reprovação é eliminada, a partir do momento em que a evasão e diminuída, o índice melhorará.

O que mais foi combatido na gestão Thiago foi a reprovação e a evasão, uma vez que a reprovação é quem derruba o chamado ideb, pois a média leva em conta a nota da prova Brasil ou a nota do Saeb e o índice de reprovação. Então para bom entendedor, não precisa melhorar nada significativo na qualidade da educação para melhorar nota de Ideb, basta apenas acabar com a reprovação.

Nesse sentido, medidas foram tomadas:

a) O aluno recebe 20 pontos extras somados a média bimestral caso tire mais de 49 pontos na avaliação diagnóstica. Por exemplo, o aluno está com média 50, com 20 pontos extras ele irá para 70 de nota final no boletim.

b) O professor é obrigado a aplicar três tipos de instrumentos de avaliação por bimestre (até aí tudo bem, uma vez que a avaliação realmente deve ser diversificada e os bons professores já aplicam diversas maneiras de avaliar) o problema é que  para cada instrumento avaliativo, foi estipulado que o professor aplicará uma nova prova substitutiva para qualquer aluno que tire menos de 60 pontos. Isso vale para todos os instrumentos. Logo, a única possibilidade de reprovação é se acaso o aluno não participar, e isso, sem justificativa, de todas atividades, avaliações e avaliações substitutivas do bimestre, o que é quase que impossível, pois o professor trabalha em grupos, duplas, pesquisas, etc.

 c) E se com todas as substitutivas o aluno ainda chegar no final do semestre com notas vermelhas? Thiago e Marconi também pensaram nessa hipótese e pensando assim,  foi criado um programa, que não sei se pode ser chamado de programa, o nome desse “imblóglio” é Projeto de Intensificação da Aprendizagem (conhecido entre os educadores como PIA). Sim, se o aluno tem notas menores que 60 no final de um semestre, é aplicada essa avaliação, isso vale para todas as matérias, ou seja, o discente poderá estar com nota zero em todos os bimestres e em todas as disciplinas, no entanto a nota que ele tirar nessa tal avaliação de Intensificação de Aprendizagem será a nova média no boletim. Não, você não leu errado, essa nota substitui todas os instrumentos avaliativos e avaliações substitutivas aplicadas ao londo do semestre letivo. Ela acontece no final de cada Semestre, ou seja, duas vezes ao ano.

Conclusão, com o fim da reprovação, diminuiu também a evasão, logo o Ideb numericamente melhora, no entanto, cabe frisar que a qualidade nunca foi uma das metas de Thiago Peixoto. O que de fato ocorreu foi uma luta por número, por índice, até por que para melhorar qualidade teria de valorizar o educador, o que houve como já frisamos foi uma desvalorização constante desse profissional.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.