Marconi Perillo e Carlinhos Cachoeira; relações perigosas

Marconi Perillo, um grande político ou um homem de muita sorte?

Marconi Perillo já havia sido indiciado quando ainda era amigo do ex-Governador Alcides; claro que agora os dois se dizem inimigos e um fica jogando contra o outro os problemas causados ao nosso estado. Mas já foram muito amigos:

Operação Monte Carlo

Cachoeira ficou conhecido em 2004 após divulgação de vídeo que o flagrou oferecendo propina a Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu. O caso foi o primeiro escândalo de corrupção do governo Lula. No relatório da operação, a Polícia Federal indiciou 82 pessoas, entre elas Cachoeira, sob diversas acusações, como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, evasão de divisas, peculato, contrabando, formação de quadrilha e violação de sigilo profissional, além da contravenção penal de exploração de jogo de azar. As investigações apontaram que Cachoeira tinha contatos com os principais políticos de Goiás, entre os quais o governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Demóstenes Torres (DEM); claro que também tinha ligações com deputados como Jovair Arantes (PTB), Rubens Otoni (PT), dentre outros. Demóstenes disse que “não há motivos” para se defender porque tinha relação de amizade, sem vínculo com as atividades de Cachoeira. Perillo negou envolvimento: “Temos um governo absolutamente correto, sério. Não há neste governo indício de solicitação de propina, de pedágios ou de desvio”. O envolvimento com políticos não é tratado no relatório atual, pois essas informações têm que ser enviadas aos tribunais competentes para atuar no caso, como o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. http://www1.folha.uol.com.br/poder/1064041-trf-adia-julgamento-sobre-liberdade-de-carlinhos-cachoeira.shtml

Leia o que revela a matéria do INFO JUSTIÇA:

 

GOIÁS: Carlos Cachoeira nomeava no governo Marconi Perillo

InfoJus BRASIL - o blog de informações dos oficiais de Justiça do Brasil

Goiás vive dias de grande apreensão. O motivo é a prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que teria políticos, empresários, policiais e jornalistas na folha de pagamento; segundo juiz, ele nomeou dezenas de pessoas no governo goiano e manchete oficialista do Diário da Manhã já revela preocupação; 24 horas depois, Perillo permanece calado.
O governador de Goiás, Marconi Perillo é, sabidamente, um dos maiores desafetos do PT. Em 2005, ele tentou envolver o presidente Lula no escândalo do Mensalão, ao dizer que tinha feito a ele um alerta. Sete anos depois, Perillo vive dias de grande apreensão. O motivo é a prisão do bicheiro Carlinhos Cachoeira, responsável pelo primeiro grande escândalo da era Lula – o pedido de propina feito por Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu, que resultou numa condenação a 12 anos de prisão. Isso porque, ao que tudo indica, Cachoeira, responsável pela máfia dos caça-níqueis, gestada a partir de Goiás, tinha grande influência sobre a área de segurança pública do governador Perillo – um nome que vem sendo lembrado, especialmente por José Serra, como um potencial presidenciável do PSDB para 2014.Na decisão, o juiz responsável pela décima-primeira Vara da Justiça Criminal de Goiás, responsável pela prisão de Cachoeira, escreve:“Ao lado de 38 pessoas não vinculadas diretamente ao poder público, foram identificados 43 agentes públicos, distribuídos entre 06 delegados de polícia civil, 30 policiais militares, 02 delegados de polícia federal, 01 servidor administrativo de polícia federal, 01 policial rodoviário federal … envolvidos diretamente com a organização criminosa, a maior parte deles na sua ordinária folha de pagamentos”. …Mais adiante, o juiz, que também apontou as relações da quadrilha com jornalistas, foi ainda mais preciso no tocante às relações de Cachoeira com o governo Perillo:“… a partir do monitoramento do terminal utilizado por Carlos Cachoeira, foram identificados laços estreitos com políticos e empresários. Além disso, descobriu-se a influência de Carlos Cachoeira na nomeação de dezenas de pessoas para ocupar funções públicas no Estado de Goiás”.Hoje cedo, o jornal Diário da Manhã, um dos principais de Goiás, saiu com uma manchete reveladora – e que já busca um álibi para os políticos locais. “Procurador da República isenta políticos”, diz o jornal.Será que são todos inocentes?

Rubens Otoni vai ter que explicar aos goianos a expressão : “batom na cueca”

Outro que também se destacou no relacionamento com Carlos Cachoeira foi o deputado petista Rubens Otoni; no vídeo abaixo, o deputado recebe; ou combina de receber dinheiro do mafioso: Governo de Goiás O que se comenta em Brasília é que Cachoeira ajudou a bancar a campanha de Perillo ao governo de Goiás em 2010. Na sentença, o juiz da 11ª Vara também destaca que, ao desarticular a quadrilha de Carlos Cachoeira, foi possível descobrir uma imensa rede de espionagem ilegal. A influência de Carlinhos Cachoeira no governo de Marconi Perillo também atingiria outra área vital: a Secretaria de Indústria e Comércio, onde trabalhariam seis parentes do bicheiro e do ex-presidente da Câmara Municipal. Também flagrado, o coronel Sergio Katayama disse que há crimes mais sérios a reprimir do que a jogatina.  

Mais Cachoeira:

Carlos Cachoeira é talvez o mafioso mais audacioso do Brasil. No início do governo Lula, ele teve coragem de desafiar o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Cachoeira trabalhava pela liberação dos bingos e tentava pressionar o governo petista, que se mostrava favorável à causa. Só que quando um assessor de Dirceu foi procurá-lo, Cachoeira decidiu filmá-lo pedindo propina. Era Waldomiro Diniz, ex-subchefe da Casa Civil, que acaba de ser condenado a 12 anos de prisão. Como o caso teve destaque em todos os jornais, revistas e televisões do Brasil ainda em 2004, chega a ser piada o fato de um secretário de governo em Goiás declarar não saber o que Cachoeira fazia da sua vida. http://www.mcpbrasil.org.br/noticias/denuncias/item/481-pris%C3%A3o-de-cachoeira-abala-governo-marconi-perillo

O POPULAR: o único que denunciou:

A rede de contatos de Cachoeira Denúncia do MPF revela que Carlinhos Cachoeira trocava informações com funcionários do governo   A denúncia oferecida nesta segunda-feira pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a máfia dos caça-níqueis em Goiás traz novos detalhes acerca dos tentáculos do líder da quadrilha no meio político. Considerado como chefe da organização criminosa, Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é flagrado em troca de informações com uma funcionária do governo estadual sobre uma operação da Polícia Federal que atingiria os negócios do prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias. Cachoeira também aparece no documento obtido com exclusividade pelo POPULAR indicando nomes para cargos comissionados na Câmara de Anápolis. Ontem, a peça acusatória do MPF foi recebida pela Justiça Federal em Goiás. O documento traz o registro de duas conversas e várias mensagens gravadas pela Polícia Federal (PF) entre Cachoeira e a chefe de gabinete civil da governadoria, Eliane Gonçalves Pinheiro. As interceptações telefônicas com autorização judicial revelam contatos nos quais o líder da quadrilha passa informações de que no dia seguinte a PF faria busca e apreensão na casa do prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias (PP), durante uma operação. A Operação Apate ocorreu no dia 13 de maio do ano passado. Na ocasião, Geraldo Messias sequer foi visto nos locais objeto de busca. “O prejuízo à administração causado por essa conduta foi a baixa efetividade da operação em questão, sendo que o prefeito de Águas Lindas seguramente foi avisado”, afirma o documento assinado pelos procuradores Daniel de Resende Salgado e Léa Batista de Oliveira.

Agenda

Eliane Gonçalves Pinheiro cuida da agenda do governador Marconi Perillo (PSDB), função que ocupa desde o governo passado. Ainda na gestão de Alcides Rodrigues (PP), atuou na articulação do tucano para que prefeitos pepistas aderissem à campanha de Marconi ao governo estadual. Ela trabalha no 10º andar do Palácio Pedro Ludovico Teixeira e era ligada ao ex-secretário Extraordinário de Assuntos Estratégicos, Fernando Cunha, morto em novembro de 2011. A chefe de gabinete do governador confirmou as conversas. “Me lembro dessas mensagens”, disse. Eliane Gonçalves Pinheiro afirmou que, devido à amizade que mantém com o prefeito de Águas Lindas, tentou proteger os cinco filhos dele. “Eu queria falar para o Geraldo Messias tirar os filhos de casa, porque haveria uma operação policial lá. Mas nem tinha mandado de prisão, era só de busca e apreensão”, recordou. Os filhos do prefeito estavam numa residência da família em Taguatinga (DF) no momento da ação da polícia. Eliane Gonçalves Pinheiro sustentou que não conseguiu contato com o prefeito, que àquela altura já saberia da ação da Polícia Federal por meio de outros contatos e não atendia as ligações. “Se ele foi avisado, não foi por mim”. Ela afirmou que conhece Carlinhos Cachoeira desde 2003, quando foi apresentada por intermédio de Fernando Cunha, com quem trabalhou por oito anos. Uma filha do ex-secretário Extraordinário de Assuntos Estratégicos é casada com um irmão do líder da organização criminosa. “Tenho uma amizade de muitos anos com ele”, admitiu. A reportagem tentou contato com Geraldo Messias, mas não obteve retorno. O prefeito ganhou de Cachoeira uma viagem a Las Vegas, nos Estados Unidos, no ano passado.

 

Nossa conclusão:

Do fundo do nosso coração, queremos muito que Marconi e todos os outros políticos citados sejam inocentes. Mas, infelizmente, alguns como Rubens Otoni e Demóstenes Torres não tem mais como negarem suas relações próximas a Cachoeira. Demóstenes até alegou que suas esposas é que eram amigas e  isso justificaria os presentinhos, como até uma cozinha no valor de  30.000 reais, e por isso os mais de 300 telefonemas entre os dois. E que Carlos Cachoeira, antes de ser chefe de jogatina é um grande empresário. Mas o senador esquece que todos sabem muito bem que Carlos cachoeira já vinha se arrastando como bandido desde 2004, ainda no governo Lula. Ninguém tem como usar o argumento de que tinha relações com o Carlos Cachoeira apenas porque não sabia de suas práticas. Outro fator, é que Cachoeira não está preso apenas por jogatina, mas também por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva dentre outros crimes. Nós, enquanto sociedade temos de cobrar uma investigação muito séria em torno de tudo isso. Seria muito barato apenas algumas notinhas na imprensa e daqui alguns dias nem lembrarmos mais do caso. Tem de ser investigado, mais que isso, deve haver uma punição muito severa para todos os envolvidos;  mesmo que seja Governador, Senador, deputados, delegados, juízes, etc. Mas, claro que tomara que sejam só indícios e que todos sejam inocentes no fim.

Por Cláudio Bertode

S.O.S Voz

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.