Lira egoísta ou canção de (des) amor

Por Cláudio Bertode*
O amor dos outros é algo repulsivo

Até o odor, do amor dos outros, me irrita

Só sei que não gosto do amor dos outros

Não gosto e pronto, causa vergonha

Causa espanto, é chato, meloso, permissivo…

Devia ser crime o amor dos outros,

Só seriam permitidos em um mundo secreto,

Em um universo paralelo,

Seriam bem-vindos, apenas, em um submundo,

esse amor maligno…

No mais, sejam, os outros, reprimidos,

punidos por calúnias e extintos

por decretos, por versículos…

Nenhum afagozinho consentido,

Não será possível qualquer troca de afeto,

Sim, os outros, são indignos…

Não merecem carinho,

Não podem jamais saber o que é amar

Por analogia, não podem ser amados,

Nem pelos pais, nem pelas mães, nem pelo país…

Por contrapartida não pertencem 

Ao cível sapem humano…

Por isso, doravante, estão proibidos,

veementemente proibidos

de humanamente existir…

               
* Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.                              

#éprecisopensar, #sosvoz

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.