Finados

Meus mortos ainda comparecem,
sem avisar e inoportunos,
nos almoços de família.

Em horas tão impróprias se revelam
nos gestos dos mais novos,
nas ranhuras da mobília.

Meus mortos ainda se apresentam,
por meios incomuns,
nos desbotados das paredes
E no mofo das janelas.

Em lugares improváveis se desvelam,
no cheiro das flores,
nos gostos das frutas,
no lodo das pedras.

Meus mortos não querem partir
de uma vez por todas,
impregnam a cor da minha pele,
não se vão inteiramente…

Admito que minha face no espelho,
às vezes, reflete que meus mortos
nunca morrem completamente…

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Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.