Fechamento de 94 escolas em São Paulo: atitude irresponsável ou ato visionário?

 

Alunos de escolas estaduais protestam contra mudanças na rede de ensino em São Paulo. Foto: Rafael Arbex / Estadão
Alunos de escolas estaduais protestam contra mudanças na rede de ensino em São Paulo. Foto: Rafael Arbex / Estadão
 

 

Muitos afirmarão que a ideia de um governante que fecha escola é inadmissível, ainda mais num século em que a educação está diante dos holofotes do mundo inteiro. Nunca se lutou tanto por qualidade, por novas estratégias, por novas possibilidades de melhoria. Em São Paulo essa semana, por exemplo, quando Alckimin, anunciou o fechamento de 94 escolas, a população foi para as redes sociais, foram para as ruas com gritos e cartazes, muitos protestos, revolta. Pais e alunos insatisfeitos, uma vez que agora terão de serem realocados em outras escolas, e às vezes, longe de seu bairro, longe de sua comunidade. E se eu afirmar que há pontos positivos e que tais medidas fazem-se necessárias para termos, em longo prazo, bons resultados e uma melhor estrutura de ensino no Brasil?

                 Não, eu não fiquei louco e também não me tornei um coxinha daqueles que escrevem para a Revista Veja no fresquinho de um ar condicionado e reverberando opiniões pedantes e extremistas em desfavor do povo brasileiro. O que ocorre é que a estrutura educacional brasileira como quaisquer outras estruturas, nesse país, foram, na maioria das vezes, criadas sem planejamento.
Notamos que, essa falta de planejar, fez com que tenhamos uma distribuição desproporcional, controversa e confusa, para não dizer injusta de alunos nas escolas. Algumas superlotadas, salas muito cheias, dificultando e sobrecarregando o trabalho de alguns professores, outras com número reduzido de alunos, salas ao ponto de comportar apenas 6 alunos, este é o caso de uma escola do Acre que foi classificada como a menor turma de terceiro ano de uma escola a fazer o Enem 2015.

              Claro que exemplos como esse existem aqui perto de nós, já tenho notícia de escolas em Goiás, com apenas 18 alunos no Ensino Médio. Ou seja, enquanto um professor está sobrecarregado com salas de 47 a 50 alunos, outros trabalham com 12, 18 alunos, o mais engraçado é que os profissionais ganham o mesmo valor pelo trabalho. E a escola grande ou pequena gastará um Diretor, coordenadores, merendeiras, porteiros, professores de todas as disciplinas, bibliotecas, sala de vídeo,etc. A verba de uma grande escola é quase a mesma de uma escola nanica.

             Desta feita, em algum momento, todos os estados terão de repensar a verba mal direcionada para as unidades escolares, e, claro, chegarão a conclusão que a melhor forma será o fechamento estratégico de algumas escolas e criação de superescolas. Nesse modelo, economizaremos recursos humanos como professores e administradores (diretores e coordenadores), também gastaremos menos com equipamentos, com profissionais diversos como guardas, faxineiras, porteiros, merendeiras, dentre outros. As turmas ficarão mais justas em termos de distribuição de alunos por salas de aula, pode-se criar um algorítimo para essa distribuição, evitando a superlotação de salas em uma escola e salas vazias em outras.
  Com essa iniciativa, poderemos, num futuro próximo, resolver problemas mais complexos, como criação de melhores planos de carreira, capacitação melhor dos dirigentes do ensino, mecanismos de debate sobre um currículo mais coerente com o século XXI e a geração Z que vem despontando, e exigindo novos mecanismos de aprendizagem, mais adequados a esse novo tipo de aluno ainda enigmático ao sistema atual de ensino.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.