Velozes e furiosos 5: a decepção

É ingênuo afirmar que existe alguém que só vai ao cinema para ver ação, carros velozes e personagens durões. Velozes e Furiosos 5 tenta fazer o que as sequências anteriores não conseguiram; ser uma continuação. Tirando isso é um verdadeiro tiro pela culatra.

Um amontoado de clichês de uma previsibilidade ridícula que até o mais ingênuo dos fãs fica com náuseas. Alguém poderia argumentar que ficção é assim mesmo e que na ficção pode tudo. Pode um policial do FBI ter juristição no Brasil, permissão para explodir, realizar operações em favelas e tudo mais para prender suspeitos. Que ele tem direito de recrutar policiais locais e dizer que escolha é pelo fato de todos os policiais do Brasil são corruptos. Mas e a verossimilhança? Onde fica? E para quem não sabe o que é verossimilhança; é todo o conjunto de lógicas e coerências da obra com ela mesma e com o contexto que ela tenta reproduzir. O contexto nesse caso é muito incoerente. Um país pode ser um poço de corrupção, mas ele é soberano e mesmo na ficção, certos elementos têm de ser respeitados.

Nenhuma ficção pode ser descontextualizada. Nâo é questão de narrar sempre a verdade, mas é a obra seguir de acordo com a coerência exigida pelo contexto em que ela quer se realizar. Eu não posso simplesmente dizer que um policial de outro país tem jurisdição em outro e dizer que isso é ficção.

Também não gostei do fato de que não foram usados brasileiros nem para figurantes. Não gostei das falinhas de insinuações em relação a nosso caráter enquanto povo.

Em relação aos efeitos de explosão, de perseguição; a ação propriamente dita, foi até legalzinho. Mas o enredo foi meio patético. A história do chip no carro foi muito sem noção. O chip estava no carro e nele continha toda logística de operação do traficante. Até os lugares, os valores de sua fortuna e tudo mais. Só não foi explicado por que estava no carro. Que carro era aquele?  Onde os policiais do FBI (que novamente tinha jurisdição no Brasil) tinham apreendido tal carro?

Assim sendo, não é um filme que mereça muito comentário, não é algo que mereça ser recomendado, não é motivo de orgulho para nenhum brasileiro saber que tal obra foi filmada aqui. Algo que não me orgulho de ter assistido e nem me orgulho de ficar perdendo meu tempo escrevendo sobre isso.

 

 

Por Cláudio Bertode

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.