Esperança para o Brasil: Impeachment ou uma reforma política?

 

Instruções gerais, com base na redação do Enem:

– Ao treinar, use sempre caneta preta para que acostume-se com a ideia de redação é sempre à caneta.
– Desenvolva seu texto em prosa: não redija narração, nem poema.
– O Enem só desconsidera textos que tenham pelo menos de 08 (oito). Estes são classificados como Em branco.
– O texto deve ter, no máximo, 30 linhas.
* O aluno não poderá fugir do tema;
*  Não é aceito qualquer ilustração ou desenho na folha de entrega da redação para correção – se aluno assim fizer obterá nota zero em sua redação;
* Lembre-se que não deve colocar qualquer citação dos temas propostos para a redação, caso aconteça sua redação poderá ser anulada.

Textos motivadores:

Texto I

QUEM É CONTRA A CORRUPÇÃO

MARCELO ZERO

Quem é realmente contra a corrupção não aposta em impeachment, eufemismo para golpe, aposta na Reforma Política.Em primeiro lugar, não há dúvida que a presidenta não só não é corrupta como não é tolerante com a corrupção.

No caso do chamado Petrolão, por exemplo, coube a Dilma e a Graça Foster a demissão da diretoria das Petrobrás, que foi colocada em altos cargos já nos tempos do PSDB, a qual se verificou depois ser corrupta. Na investigação determinada pelo Procurador Geral, Dilma, ao contrário de Aécio, sequer foi citada.

Nessas circunstâncias, propor o impeachment, sem nenhum fundamento jurídico, da presidenta recém-reeleita é golpe puro e simples.

http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/173292/Quem-%C3%A9-Contra-a-Corrup%C3%A7%C3%A3o-n%C3%A3o-quer-Golpe-quer-Reforma-Pol%C3%ADtica.htm

Texto II

Vamos falar de reforma política?

RICARDO CHAPOLA

Vamos supor que a pressão popular seja tão grande, mas tão grande que a presidente Dilma Rousseff sofra o impeachment. Sabe quem ocuparia o cargo no lugar dela?

Uma dica: sua mulher é gatíssima. Não, não é Aécio Neves. É Michel Temer, o vice, cujo partido, o PMDB, está envolvido até as tampas no esquema de corrupção na Petrobrás. Tanto quanto o PT.

Vamos supor que Temer também, pela força do povo, seja obrigado a renunciar a Presidência, depois de ser flagrado pela imprensa negociando propina com empreiteiros. Sabe quem então ocuparia o posto?

Uma dica: ele é habitué das praias cariocas e apoiou a candidatura do Luiz Fernando Pezão ao governo do Rio no ano passado. Não, não é Aécio Neves. É Eduardo Cunha, presidente da Câmara, também do PMDB, e que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito da Operação Lava Jato, sob suspeitas de ter participado da roubalheira na Petrobrás.

Vamos supor ainda que o povo peça a cabeça de Eduardo Cunha,por estar com o nome mais sujo do que pau de galinheiro. Sabe quem, pela regra, seria seu o sucessor?

Lá vai a dica: ele é senador. Não, não é Aécio Neves. Seria Renan Calheiros, atualmente presidente do Senado, também investigado pelo STF no caso da Petrobrás. Está envolvido em outras cositas más das quais nós estamos carecas de saber. Menos Renan, que deixou de estar no ano passado, depois de usar o jatinho da FAB para ir ao Recife fazer um implante capilar.

Tantas suposições assim pelo seguinte: o impeachment de Dilma não resolveria muita coisa. Bastante gente vai levantar essa bandeira no protesto do próximo domingo, dia 15, se esquecendo de duas coisas. Primeiro: Dilma não responde a crimes que a obriguem deixar a Presidência. E segundo: mesmo que tivesse, não adianta mais trocar de atores, quando a peça tende sempre a um mesmo fim. Políticos vivendo felizes para sempre nas custas do povo.

O eleitor brasileiro possui um cardápio muito bem servido de motivos para protestar. Fica a gosto do freguês: a corrupção na Petrobrás, o alto preço da cerveja, desemprego subindo, salários congelados, falta d’água. Pode, inclusive, botar a culpa na Dilma, no Lula, ou mesmo no PT de maneira geral. Mas não deveria pedir impeachment, sabendo do risco a que estaria sujeito: o fortalecimento de figuras como Renan, Cunha, Sarney e cia, igualmente chamadas de corruptas pelas mesmas pessoas que pedem o afastamento da presidente petista.

Não é hora de simplesmente fulanizar o debate sobre um problema que se mostrou maior do que realmente imaginávamos ser com a descoberta do esquema de corrupção na Petrobrás. Obviamente que os responsáveis pelo crime na estatal devem ser punidos. E com rigor. Mas o ideal seria que o crime não voltasse a acontecer.

Dilma tem sido cobrada pelas promessas não cumpridas. Aécio Neves (agora sim, olha ele aqui), adversário da petista no ano passado, publicou um vídeo no Facebook expondo as contradições entre declarações e os atos da presidente. Deveria ter aproveitado para lembrá-la também da reforma política, tema defendido pelos dois durante a campanha presidencial e hoje engavetado no Congresso. Já até passou da hora, mas bora falar sobre isso? Dia 15 está logo aí.

http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/ricardo-chapola/vamos-falar-de-reforma-politica/

Texto III

Você que pede impeachment, sabe o que é reforma política?

Por Guilherme Boneto

Você que vai às ruas no próximo dia 15, manifestando a sua prerrogativa inalienável de protestar contra o governo federal, tem prestado atenção a um eco que circula na imprensa nas últimas semanas? Reforma política… Reforma política… Reforma política…

Você, que bateu panela na sacada do seu apartamento no último domingo, pondo em risco o brilho inox das suas caçarolas, sabe o que significa financiamento público de campanha? Conhece o conceito de ampliação da participação popular? Escute o eco… Reforma política… Reforma política…

O seu protesto, contudo, será exclusivamente contra a presidenta Dilma Rousseff e seu governo, estou certo? É compreensível, uma vez que, hoje, boa parte da população dedica a ela um ódio inexplicável e profundo. Ainda que suas atitudes enquanto líder do Executivo sejam questionáveis, nada justifica as últimas manifestações raivosas que têm tomado conta do país. Dilma tem uma longa e honrosa trajetória de vida. Você, que como eu, ainda nem chegou aos trinta anos de idade, não tem sequer o direito de chamar uma senhora de “vagabunda”, “vadia”, e outros nomes aos quais não farei referência pela manutenção da saúde do meu estômago. E você, que já passou dos trinta, se usa esses nomes contra a presidenta ou contra qualquer outra pessoa, deveria ter vergonha de fazê-lo.

Longe de mim defender as medidas conservadoras de Dilma para a economia. Acho que por sua capacidade, sua formação acadêmica e sua inteligência reconhecível, a presidenta poderia fazer muito mais pelo país, inclusive batalhar junto ao Parlamento para aprovar medidas que beneficiassem toda a população, como a criminalização da homofobia, por exemplo – Sebástian Piñera, direitista e ex-presidente do Chile, o fez no exercício do mandato, e conseguiu. Mas a minha crítica a Dilma jamais passará próxima de sua vida pessoal. Utilizar contra ela xingamentos de conotação sexual é não apenas uma covardia, mas uma prova de que a ferida do machismo, do patriarcalismo e da misoginia continuam mais que aberta neste país.

Ademais, não importa quem é o presidente. Ele poderia ser o senador Aécio Neves, a ex-deputada Luciana Genro, ou quem sabe o caricato Levy Fidelix, e de nada adiantaria a presença de nenhum deles no que tange o combate à corrupção, a menos que houvesse a reforma política à qual me referi no início deste texto. É por ela que todos nós deveríamos estar batalhando. Não pelo “impeachment”. Não para “tirar o PT”. Não para ver escorrer sangue, só pelo prazer que isso proporciona. A deposição da presidenta Dilma não é a solução para a crise que estamos enfrentando; não é sequer o início dela.

Você, que já se contaminou pelo ódio ao governo, permita-se contaminar pelo eco. Reforma política… Reforma política… Informe-se. Vá atrás. Busque ideias. Mande e-mails. Pressione. Reforma política… Reforma política… Permita que o eco invada suas veias como um daqueles insuportáveis hits do verão, incapazes de deixar nossos ouvidos durante horas. E lute. Lute muito. O Brasil pode ser um país diferente com a sua e a minha participação. Mas, com todo o respeito, perdoe-me por informar, as suas panelas, as suas buzinas e a sua falta de educação não vão fazer a diferença nesse processo. Não importa se você apoia o PT, o PSDB ou qualquer outro partido, se é de esquerda, de direita ou de centro, preocupe-se em entrar para a história deste país pelas lutas que travou, pelos debates de que participou, pelos diálogos que teve em nome de um futuro melhor. Ideias sempre serão bem-vindas. Mas o seu ódio é absolutamente dispensável.

 

 

Produzir um texto dissertativo-argumentativo, a respeito do tema: “Esperança para o Brasil: Impeachment ou uma reforma política?”.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.