É PRECISO CONFIRMAR A DEMOCRACIA

 

Eleição não é jogo. Se acaso assim não é, posso inclusive, afirmar que não há vencedores nem perdedores. O que deve ou ao menos deveria acontecer é um exercício de cidadania, claro que existe uma luta de cada um de nós por princípios, ideologias, grupos com os quais nos identificamos, propostas que achamos importantes, utopias, visões de futuro que almejamos, mesmo assim, não cabe afirmar que é uma guerra em que será preciso derrotar o outro a qualquer custo, usando de qualquer meio, difamações, calúnias e, no final, sair com a sensação de que fizemos algo do qual não haverá motivos para orgulho.

Nesses dias de campanha, magoamos pessoas, ficamos furiosos por não termos argumentos suficientes para convencer todos do quão coerentes são nossas verdades. Talvez realmente, nossa noção de verdade não seja importante. Só não podemos esquecer, que ao final do processo, seremos todos guiados pelos líderes que foram nomeados nas urnas para nos defender.

Não vai adiantar fingir que agora existem vencedores que passarão 4 anos no poder e governando apenas para os amigos que apoiaram financeiramente, aos que ajudaram nos comitês, nas reuniões, nas panfletagens, nos debates nas mídias sociais, e quem foi derrotado agora amargará 4 anos sem representação, como, se assim, ocorresse de maneira justa um castigo a esses que ousaram ir contra a força da maioria. É claro que teremos os líderes que merecermos, até por que se pegamos gasolina para colocar adesivos, se fomos levados promessas de cargos futuros ou pela manutenção de empregos do presente. Um dia não poderemos reclamar por nossos representantes formarem quadrilhas e praticarem atos repugnáveis do ponto de vista moral e ético.

Aos eleitos, agora poderosos, não será interessante perseguir quem não quis adesivar carros ou balançar bandeiras, ou pedir votos de porta em porta. Todos da minoria derrotada deverão desejar bons votos aos novos representantes. Temos de respeitar a vontade da maioria, mas a minoria que defendeu outros ideais merecem respeito, pois serão a consciência para alertar de que somos falhos, para puxar nossas orelhas quando começarmos a desviar do caminho correto.

Os escolhidos deverão saber que é preciso governar para todos, mesmo para as oposições. A oposição é necessária para que haja um espírito crítico. É preciso reconhecer quando o que defendemos não é importante para os outros.
Ás vezes as prioridades, as necessidades, o conceito do que é importante de nossos semelhantes não são os mesmos que os nossos, desta forma, claro que eles irão optar por outras ideologias, outros pontos de vista. Sejam quais forem essas escolhas, temos de aceitar desde que sejam um reflexo de uma visão da maioria.
Mesmo que individualmente, essas escolhas nos prejudiquem, ainda é importante desejar boa sorte a todos os que nas urnas foram escolhidos pela maioria da comunidade eleitoral. Boa sorte a todos os eleitos. E que todos os políticos de Jaraguá um dia percebam que oposição é só durante a campanha, depois da votação somos todos jaraguenses, logo não é interessante essa cultura mesquinha de um grupo tentar invalidar o trabalho do outro. É preciso que se comece uma outra campanha, uma nova luta das pessoas de bem de nosso município para que se convença a toda a população de que precisamos nos unir para que tenhamos uma cidade melhor para se viver e criar nossos filhos.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.