Poema: Devo estar ficando velho

Tudo a minha volta já começa
a parecer, de tão novo, tão sem nome…
E os objetos e as pessoas…
Já permanecem tão crianças…
 
É como se uma saudade
quisesse se impor, acertar contas
Viesse sempre fazer cócegas,
companhia em horas mais que impróprias,
lançar areia nos meus olhos…
 
 
Se não é então velhice,
o que seria esse sintoma?
Esse corpo pesado, insuportável
peso de coisas inacabadas
 
 
Amores, frases que ninguém disse
presas na garganta como brinquedos
danificados no canto,
como lúdicas ilusões sem cor,
folhas que o vento ao longe lançou…
 
 
Devo estar de cabelos brancos,
não reconheço essas sombras
assustadas no espelho, a dizerem
que as musas ainda bailam…
 
Embora sei que eu não mereça,
respeitem esses versos rabiscados
no papel amarelo do pão de cada ontem….
 
 
Devo estar ficando velho…
Tudo que vejo à minha volta
já se comporta e se projeta tão sem nome…
 
 
 
 
Por Claudio Bertode
 
 
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Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.