Depoimento de Delegado complica Marconi Perillo

O depoimento do delegado federal Matheus Mela Rodrigues , no dia 10 de maio, à CPMI de Carlos Cachoeira, no mínimo traz um dado novo e curioso; pode-se dizer que deixa mais complicada a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e de outros integrantes do alto escalão da administração estadual.  O delegado confirmou encontros e ligações telefônicas entre  Perillo e o mafioso Cachoeira; Rodrigues, o responsável pelo inquérito da Operação Monte Carlo, disse aos parlamentares que Carlinhos teve participação direta na compra de uma casa do governador.

Só este fato já é muito interessante, pois contradiz diretamente as falas anteriores de Marconi na mídia; em que dizia que nem sabia que era Cachoeira quem estava comprando sua casa. Em entrevistas logo após a operação, Perillo afirmara que a casa havia sido comprada pelo empresário Walter Paulo Santiago, dono da Faculdade Padrão. O empresário também já confirmou ter adquirido o imóvel.

 

De acordo com os membros da CPI que acompanharam o depoimento, Rodrigues esclareceu que foram usados três cheques de Leonardo Almeida Ramos, sobrinho de Cachoeira, na aquisição do imóvel localizado em Alphaville, condomínio de luxo em Goiânia, que pertencia a Perillo. Foi neste imóvel que o contraventor foi preso no dia 29 de fevereiro, data em que a operação da PF foi desencadeada.

Os três cheques repassados ao governador goiano somavam R$ 1,4 milhão, segundo o delegado federal. Duas folhas eram de R$ 400 mil e a outra de R$ 600 mil. “Ele confirmou que foram três cheques”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).
Na avaliação do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), as informações do delegado confirmam que o imóvel foi vendido de Perillo para Cachoeira.

“A casa em que ele foi preso pertencia anteriormente a Perillo. Logo, foi uma venda do governador para Cachoeira”, afirmou. A transação foi revelada nos autos da operação. O delegado não apresentou à comissão cópia dos cheques do sobrinho do bicheiro. Esses documentos ainda podem constar do farto material apreendido durante a operação, mas que ainda não foi periciado. O conteúdo apreendido em 28 dos 80 locais de busca e apreensão visitados pela PF no dia da operação ainda não foi sequer tocado.

As revelações do delegado fizeram com que o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), admitisse submeter à votação do colegiado na próxima quinta-feira a revisão do cronograma de trabalho da comissão para permitir a convocação de Perillo. As convocações dos governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Sérgio Cabral Filho (PMDB), do Rio de Janeiro, também poderá ser submetida à votação no dia 17. Todos os requerimentos serão individuais.


Em uma nota, para o Jornal O Estado de São Paulo, o governador alega “que a venda da casa foi intermediada “pelo sr. Wladmir Garcêz, que inicialmente se apresentou como comprador do imóvel e, na escrituração, ele disse que o comprador seria o sr. Walter Paulo. Em seguida o sr. Wladmir levou os cheques ao governador. Ele recebeu os cheques , depositou-os nas datas combinadas e só escriturou o imóvel após compensação de todos os cheques. Na época o governador não teria observado o nome do emitente pois a casa só seria escriturada após a devida quitação.” Segundo Perillo, “trata-se de patrimônio pessoal” e foi “vendida rigorosamente dentro da lei e declarada no Imposto de Renda em uma transação que, absolutamente, nada tem a ver com a atividade pública do governador”. Alega que se “tivesse alguma dúvida” sobre a legalidade e não tivesse “agido de boa fé, não teria declarado a venda”.

S.O.S Voz

Comentários

  1. Brandão

    Conforme já sabíamos e agora comprovado, desde o próprio irmão do Marconi Perillo, o Toninho Perillo, sua Chefe de Gabinete Eliane Pinheiro, Jaime Rincón da AGETOP, presidente do Detran Edvaldo Cardoso (o Caolho), vários Deputados aliados e de seu próprio partido, seu aliado Demóstenes Torres, muitos do do 1º escalão como o Procurador do Estado Ronald Bicca, estão entrelaçados, envolvidos até o pescoço com o grupo mafioso de Cachoeira. Ronald Bicca, enquanto era procurador do Estado, ficou morando em uma casa cedida por Cláudio Abréu e posteriormente por Cachoeira. Ele foi para o cargo por indicação do Cachoeira e ficou ali, defendendo interesses do grupo mafioso. O envolvimento do governo do estado com o grupo mafioso do Cachoeira, se deve muito, ao investimento financeiro do grupo nas campanhas do tucano Marconi Perillo. Com isso, Cachoeira ficou tendo direitos no governo e, Bicca é fruto disso.

  2. Brandão

    Desde o próprio irmão do Marconi Perillo, o Toninho Perillo, sua Chefe de Gabinete Eliane Pinheiro, presidente do Detran Edvaldo Cardoso (o Caolho), vários Deputados aliados e de seu próprio partido, seu aliado Demóstenes Torres, muitos do do 1º escalão como o Procurador do Estado Ronald Bicca, estão entrelaçados, envolvidos até o pescoço com o grupo mafioso de Cachoeira. Ronald Bicca, enquanto era procurador do Estado, ficou morando em uma casa cedida por Cláudio Abréu e posteriormente por Cachoeira. Ele foi para o cargo por indicação do Cachoeira e ficou ali, defendendo interesses do grupo mafioso. O envolvimento do governo do estado com o grupo mafioso do Cachoeira, se deve muito, ao investimento financeiro do grupo nas campanhas do tucano Marconi Perillo. Com isso, Cachoeira ficou tendo direitos no governo e, Bicca é fruto disso.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.