Crônica: Thiago Peixoto me excluiu do twitter, do facebook e do orkut

Quem me conhece sabe o quanto sou crítico, irônico; uma pequena dose de sarcasmo aqui, uma pitadinha de humor negro ali. Sou bem chato mesmo. Sei o quanto é difícil para meus poucos amigos me aturarem. Para piorar eu gostava de escrever crônica. Bem, eu parei de redigir esse gênero textual. É verdade, foi difícil nas primeiras semanas, mas eu, com muita força de vontade e apoio de minha família, finalmente posso dizer que é o fim de minha breve carreira de cronista. Tomei essa decisão ao admitir que eu tinha um problema; aconteceu quando o Tiago Peixoto me excluiu do twitter.

Eu fiquei muito mal mesmo, ao procurar meu grande seguidor e… não riam; durante a greve de professores de Goiás tive a estúpida ideia de escrever aquele texto chamado “Tiago Peixoto: o herói acuado”. Todos gostaram muito, nunca fui tão elogiado, até minha mãe que é muito rígida em relação à literatura disse que ficou uma fina joia. Quem não gostou foi o Tiago, que além de me excluir do twitter, ainda me deletou do facebook, colocou meu endereço de email como spam. Agora se eu enviar, por exemplo, uma bela apresentação de power point, lamentavelmente vai direto pra caixinha de lixo eletrônico do Secretário.

Para impor mais ainda seu poderio de retaliação; num evento em Goianésia; para anunciar o blábláblá do não sei o quê das escolas estaduais, bom, como que eu conto isso; o Tiago Peixoto me passou gripe. Sei que foi ele; fui ingênuo, devia ter percebido que não bastaria me deixar de fora de suas tão cobiçadas redes sociais; não é para menos que são tão cobiçadas; a popularidade desse meu ex-amiguinho virtual não para qualquer um. É muito “soda” ser o único Secretário de Educação no Brasil a ter mais 160 mil assinaturas de um abaixo-assinado pedindo para ele sair do cargo. Claro que uma pessoa fica famosa por cortar gratificações professores; além do mais não é de se descartar o prestígio que dá a aprovação de um projeto permitindo colocar mais 60 alunos numa sala de aula. Eu fiquei muito orgulhoso quando Tiaguinho disse que “um bom professor dá aula para 120 alunos em uma sala”.

O que eu não conhecia era esse lado maquiavélico de gripar desafetos; quase duas semanas tomando chazinho de limão com mel e minha querida esposa vem e diz que eu exagero; foi só uma gripezinha que eu poderia ter contraído de qualquer outra mão que eu apertei já que cumprimentei ene pessoas na ocasião. Só que ela não viu o ranger de dentes e o pseudorrisinho entrelabial ao apertar minha palma no final dos trabalhos; na ocasião, eu desarmado de piadinhas, com minha bandeira branca; só queria, ao menos em pensamento, parabenizar pelo admirável feito de ser o único indivíduo que participando de uma sociedade consegue fazer pactos sozinho. Mas eu nunca diria isso; ele já andava tão estressado. Só deus sabe quanto tempo ele cultivou aqueles germes; eu não imaginava que ele era assim tão rancoroso.

Diante disso, eu resolvi abandonar esse negócio de escrever prosa política; o melhor será voltar a escrever, sei lá, poesia, letra de música, eu poderia me dar bem escrevendo letra de arrocha, letra de funk, nem precisar gastar meus neurônios. Imaginem a minha música sobre o famoso “quadradinho de 16”. O certo é que crônica sobre políticos de Goiás, nunca mais. Eles são muito bravos e mal humorados. Imagina, dizem que processam até pessoas das redes sociais que fazem qualquer comentário fora do protocolo. Tem até hacker infiltrado e vigiando o que escrevemos. Eu confesso que além de muito magoado e infeliz por ser deletado do twitter do Tiago Peixoto, eu tenho medo de falar mal de político Goiano. Eu vou ser um bom menino agora. Vou ficar caladinho no meu canto. Não vou expressar nenhum pensamento crítico nas mídias sociais. Dou um conselho a todos os goianos, façam como eu, calem-se enquanto é tempo. Aceitem que Goiás tem dono. Ou correm o risco de serem todos excluídos das redes sociais dos membros do Governo Estadual assim como eu. Depois não digam que eu não avisei.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.