Confusão entre desejo e necessidade: consumismo irresponsável

Após ler os textos motivadores e buscar uma tese que problematize a discussão de maneira que possa argumentar e oferecer soluções para minimizar as questões levantadas, redija uma dissertação a respeito do tema: Confusão entre desejo e necessidade: consumismo irresponsável.

 

Texto motivador

 

Texto I

http://www.ideiademarketing.com.br/2011/10/25/o-consumo-irresponsavel/

http://slideplayer.com.br/slide/7313390/

Texto II

Você consegue identificar o que são necessidades reais de consumo e o que são desejos?

Comecemos com a definição das duas palavras:

  • Necessidade: um estado interno de insatisfação causado pela falta de algum bem necessário ao bem-estar (parte subjetiva da saúde mental). wilipedia.org
  • Desejo: é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja, como uma fonte de satisfação. wikipedia.org

Nítida a diferença não? Enquanto a necessidade é algo indispensável para o bem estar, o desejo é algo que o indivíduo considera uma fonte de satisfação. (destaquei)

Num primeiro momento parece ser bastante simples fazer essa diferenciação, mas acredite… NÃO É.

O ser humano tende a discernir com muita facilidade, desejos de necessidades, quando falamos de algo BASTANTE supérfluo, mas tem grande dificuldade quando tratam-se de objetos corriqueiros.

Vou exemplificar:

Você consegue identificar que comprar uma Bolsa de uma marca famosa e que custa (uma facada) uma boa quantia de dinheiro, trata-se de desejo e não necessidade correto?

Mas e quando você vai ao supermercado? Você consegue distinguir as duas coisas?

Consumo 2

Entendam, não estou dizendo que devemos passar a arroz e chuchu, para economizar na alimentação (tipo tio patinhas lembra?). MAS… sempre existe um (maldito) mas… não precisamos sair derrubando toda a prateleira de doces e guloseimas, deliciosas e CARAS, no nosso carrinho.(apesar da tentação ser grande).

Logo, o que realmente quero dizer é o seguinte: Faça compra de produtos de qualidade, saborosos e saudáveis SIM, mas tenha consciência de que:

  • A bolacha recheada importada (deliciosa) vendida na rede do nosso colega (Abílio Diniz), que custa R$30,00 o pacote com 6 unidades, NÃO É uma necessidade e sim um desejo.
  • Que não é necessário fazer hambúrguer com filet mignon.
  • E que não é NECESSIDADE, comprar um suco de laranja pronto que custa R$6,00 o litro enquanto a laranja fruta custa R$6,00 o QUILO que rende obviamente inúmeros litros de suco (e nem são difíceis de fazer).

Usei como exemplo produtos de alimentação porque são os mais difíceis de discernirmos, mas isso deve aplicar-se a tudo na vida de quem deseja educar-se financeiramente e garantir uma aposentadoria tranquila. Se você não está andando descalça(o), não PRECISA comprar um sapato, você QUER comprar. Se você não está andando sem roupa, você não PRECISA comprar roupas, você QUERcomprar. E assim com tudo na vida.

Eu sei que não é tarefa fácil. Sou mulher (consumista por natureza e criação). Mas posso dizer que, como quase tudo na vida, é questão de adaptação e costume. No início será quase uma tortura (para nós mulheres é), mas passado algum tempo, isso torna-se algo automático e que faz TODA diferença pra você, que assim como eu pensonofuturo.

Aline Porto

Retirado do site: Penso no futuro

 

 

Texto III

Promessa do paraíso e sacrifícios necessários?

Três hipóteses tentam responder às questões levantadas. A primeira diz respeito à postergação das promessas para o futuro. Faz parte da lógica dos mitos do progresso e do desenvolvimento adiar ou projetar para o futuro a satisfação das necessidades. A única condição é que haja sinais visíveis de progresso que garantam a esperança das massas de ver um dia seus desejos realizados.

A segunda hipótese refere-se à incentivação dos desejos miméticos na sociedade moderna: os indivíduos são incentivados a buscar ou tentar desenvovler objetos que satisfarão seus desejos, ultrapassando, se necessário, os tabus religiosos, os interditos culturais, as proteções legais. Com isso, a frustração de não realizar o desejo mimético acaba sendo explicada em termos individuais. O indivíduo, frustrado, internaliza o sentimento de culpa pelo seu fracasso; percebe a sua situação como frutos de sua incapacidade e não como resultado de um modelo de desenvolvimento adotado. Consequentemente, não se rebela contra este modelo, que ele continua vendo como único caminho para realizar, no futuro, os seus desejos.

A terceira hipótese diz respeito aos sacrifícios necessários para o progresso exigidos pela lei do mercado: “Se o progesso é fruto da concorrência e da lei da sobrevivência dos mais competentes na dinâmica do desejo mimético, decorre daqui uma dedução lógica: o sacrifício dos menos competentes passa a ser uma necessidade da dinâmica do próprio progresso”. Este discurso dos sacrifícios necessários é eficaz porque leva as pessoas a internalizarem o sentimento de culpa, aceitando ser vítimas dos sacrifícios necessários; o que, em contrapartida, dá boa consciência aos setores sacrificadores ou beneficiários, que, de um lado, se julgam merecedores de recompensa e, de outro, julgam que os pobres são também merecedores dos sacrifícios impostos a eles. É a teologia da retribuição.

A esta altura, estamos plenamente envolvidos com o problema da secularização da sociedade moderna. Acredita-se que não temos mais a presença do sagrado no âmbito público, político e econômico, pelo fato de as religiões não serem mais o fundamento da ordem social. Na verdade, isso é um equívoco. Se levarmos em conta que a imanentização escatológica medieval, esperada pela ação divina intermediada pela Igreja, passou a ser esperada como resultado do progresso, e, no mundo capitalista, este progresso redentor é esperado no e através do mercado, conclui-se que houve um deslocamento do sagrado da Igreja para o mercado. Razão pela qual o discurso dos sacrifícios necessários hoje vem associado mais ao campo econômico do que ao campo religioso tradicional.

http://www.simplicidadevoluntaria.com/necessid.htm

 

 

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.