Balada de um “Eu” Lírico

 

Eu não sou a mão que inventa,

inclusive sinto que essa mão invisível

é triste, séria, inacabada, é finita…

 

Apenas e quem sabe, seja eu mera ilusão,

ilusão tão crível,  pobre sombra dessa mão,

no entanto, talvez, sem sentido, exista a penas.

 

Deste mundo de tinta sei pouco da origem,

do que o alimenta singularmente,

é só por que essa mão tão incansável

deu-me vida e voz de veloz vertigem…

 

Se existo, só e quando alguém lê estas linhas,

é porque a mão impôs-me esse limite ingesto,

limite inevitável que apascenta,

meio perverso que assusta,

Pois que, no entanto, enquanto existo

em frações de segundos eu persisto…

 

Mas bem sei que a invisível mão sangra

mão cansada, sim, surda, sisuda,

pensando que é um tipo patético de deus.

Criando de sua própria pena

um ser de sombra, um ser de silêncio,

de uma fúria tão sincera em sua face,

como se eterno fosse em seu disfarce…

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.