Aumento da criminalidade no interior de Goiás

 

 

Sabe aquela brincadeira de pedir para pessoa escolher se ele quer a notícia boa ou a ruim primeiro? Foi com esse chiste de humor negro que nosso querido Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgaram o Atlas da Violência 2016. O estudo traz a ótima perspectiva de que a taxa de homicídios diminuiu nas grandes cidades, por outro lado revela que a mesma taxa aumentou assustadoramente nos pequenos municípios do interior.

Quem quiser ler o relatório comentado e “completo” pode acessar a página do IPEA ou ler a matéria divulgada em OPOPULAR do dia 22.03.2016.

Se não bastasse, o relatório ainda pratica um carinhoso bullyng, mesmo que de maneira implícita, com nosso estado, isso pelo fato de ironicamente Goiás, entre os anos de 2004 e 2014, ser o ente da Federação a ostentar a faixa de campeão em homicídios contra mulheres, sim, por aqui, a violência e assassinatos contra vítimas femininas, ficaram acima da média nacional.

Refletindo criticamente a respeito desses dados, e deixando de lado os sarcasmos e as ironias, não é preciso ser um gênio ou pesquisador do IPEA, para saber o quão problemática é a situação dos cidadãos goianos que vivem aqui no interior do estado.

Nos últimos anos, os malfeitores descobriram, literalmente, o caminho das pedras e para a impunidade quase certa. Nossas pequenas cidades houve um pequeno surto de crescimento econômico, uma fagulha de emergência produtiva, que fez com que a arrecadação de impostos aumentasse de maneira jamais vista em nosso estado, no entanto, os cofres abarrotados do poder público não foi incentivo o bastante para que nosso Governador e deputados que aparecem em época de eleição, criassem projetos e políticas, que investissem na segurança desses tão honrados contribuintes.

Será que é mais fácil investir na segurança das capitais por serem cartões postais e sempre visadas pela mídia? Lá, foram instaladas câmaras de segurança, aumento do efetivo policial, investimento em equipamentos de investigação, armamento de última geração para as corporações; aqui, apenas magros caraminguás de investimentos. Uma ou outra viatura em véspera de alguma eleição importante, uma promessa qualquer durante uma visita e almoço com algum cabo eleitoral importante, um presídio começado aqui outro ali (dinheiro pelo ralo) e nunca terminados.

Não é difícil deduzir que enquanto o Governo não fez a lição de casa, não foi capaz de pensar a longo prazo, não foi capaz de valorizar o esforço dessas cidadezinhas, que a custo de muito suor, criaram arranjos produtivos de dar inveja em muita cidade grande. Os bandidos por sua vez foram visionários, malignamente inteligentes e perceberam que seria bem mais fácil transferirem suas atividades para esses lugarejos. Desprotegida, uma população indefesa, com muito para ser roubado, inclusive nossa dignidade e nosso direito de viver na paz e no sossego que escolhemos para criar nossas famílias.

Daí vieram os traficantes, com seu poder paralelo, hoje é comum, coisa jamais vista por esse representante da geração X, ver adolescentes, jovens em plena luz do dia, usando drogas em nossas pracinhas. Com o tráfico começaram os roubos, os assaltos, as mortes por acerto de contas. A pequena riqueza melhorou nossa frota que agora é atacada a qualquer momento por assaltantes que vêm e roubam por encomenda nossos carros para desmanche etc. Vieram os ladrões, mestres das saidinhas de bancos. Perdemos as contas das mortes mal explicadas, a nossa triste média é de mais de um crime envolvendo mortes por mês (número alto para comunidades pacatas em que tínhamos apenas mortes naturais e, raramente, uma morte por assassinato) e claro, a maioria dessas mortes nunca encontram solução.

A polícia local, é corajosa, mas só a coragem desses bravos soldados não é o suficiente para manter a paz e garantir o direito constitucional de ir e vir de nós cidadãos. Em Goiás, já não temos a mínima segurança que um cidadão e sua família merece. Aqui roubam nosso carro em plena luz do dia e os poucos recursos da polícia local (e olha, que trabalham muito, são bons policiais, mas os recursos humanos são escassos e os equipamentos sucateados e ultrapassados).

Que divulgações de relatórios como esse do IPEA, façam com que a população reflita e comece a abrir os olhos para o fato incontestável de que o Governo do nosso estado, gasta muito em propaganda, mas é completamente incapaz de se sensibilizar de verdade para o problema real que está cada vez mais preocupante, mesmo que se prove que há uma tentativa de melhorar a situação, ainda ficaria com a trágica visão da incompetência em combater o maior problema já enfrentado pela população goiana.

Preciso, será que comecemos a buscar novas lideranças em nosso estado e que esses novos líderes tragam um olhar de respeito ao interior. Com projetos e soluções concretas a longo prazo e que assim possamos ter um estado, num futuro próximo, que tenha vitórias positivas para comemorar e não título de estar entre os mais violentos ou de ser campeão em assassinatos de mulheres ou ter duas cidades expostas na lista das cinquenta mais sangrentas do mundo.

 

 

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.