As Organizações Sociais e a administração do dinheiro público

As Organizações Sociais vêm mostrando tudo que podem fazer pela saúde brasileira. E havia quem dizia que elas eram “a grande chance do pobre ser atendido em hospitais com padrão de Primeiro mundo”.

Não demorou para percebermos o grande caos que se instaurou: desde médicos sem diplomas em São Paulo, esquemas de venda de vagas dentro do SUS, farra dos remédios em Goiás que levou ao afastamento de 12 prefeitos, ainda em Goiás, repasses aos hospitais que não acontecem, aqui na pequena Jaraguá já chega na casa de R$ 1 milhão de reais e por aí a lista iria infinitamente.

Hoje, qualquer cidadão, bem informado, sabe o que uma Organização Social pode fazer pela saúde do povo pobre do Brasil. Sim, ricos não são afetados diretamente, uma vez que pagam por caros planos de saúde.

Agora, o mesmo discurso ufanista se revela e se reverbera em relação à educação. E novamente a frase enganadora e vaga de que esta “é a grande forma do menino pobre ter uma escola no padrão primeiro mundo bem pertinho de sua casa”.

Os cabos eleitorais extemporâneos do Governo (ex candidatos derrotados e esperançosos por uma fatia do bolo, famílias cujos filhos mantêm estágios com financiadores de campanha do governo, contratados e muito agradecidos já que não entrariam nos cabides do serviço público através de uma prova de concurso) chegam a afirmar que o bom disso tudo é que vamos acabar com a maldita estabilidade de servidores, vamos poder viver sem greves, os professores que reclamarem poderão ser substituídos rapidamente por pessoas que precisem mais do emprego e mais submissas. A lei de licitação poderá ser burlada, a fácil contratação de recursos humanos e a flexível prestação de contas dará ao dinheiro público a mobilidade que o governo sempre sonhou para verbas tão ricas como as da educação.

Criar para essas verbas as mesmas possibilidades que foram conquistadas na saúde, desburocratizar a saída do recurso suado que o cidadão paga é o grande desafio, mas uma ONG parceira facilita a tarefa em todos os aspectos , um paraíso de vantagens, como se livrar de licitações, projetos que precisam ser aprovados e viáveis, tomadas de preços, logo poder contratar parceiros políticos sem dar satisfações, contratar recursos humanos que convier aos interesses sem fazer concurso, encher a máquina com parentes e amigos de aliados políticos, sem acatar premissas de estatutos de servidores, estatutos de magistério, etc.

Sim, dá para imaginar um pouco das maravilhas que virão com a implantação da nova escola pública dirigida e administrada por obscuras Organizações Sociais.

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.