Tema: A dengue no Brasil: de quem é a culpa?

 

Todo ano, com a chegada do verão, temos visto mais e mais notícias sobre casos de dengue na nossa região. Segundo o site Combate à Dengue, “só nos primeiros três meses deste ano foram registrados 112 casos da doença na cidade, 14 vezes mais do que no ano passado inteiro”.  É hora de agir já que as campanhas de conscientização parecem não ter funcionado como o esperado. É por isso que nesta semana convidamos vocês a pensar de forma mais efetiva sobre o que podemos fazer para diminuir o risco que corremos.

 

 

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Se antes pensávamos apenas em prevenção, agora é uma guerra. Até pouco tempo, ouvíamos falar sobre a Febre Amarela, transmitida por um mosquito. Agora o mosquito transmite outra doença: a Dengue. Mesmo que seja negado pelos governantes, em alguns estados como o Rio de Janeiro, temos uma verdadeira epidemia. Tudo isso piora mais ainda quando pensamos que os doentes estão à mercê da saúde pública.
De quem é a culpa nesse caso? Em qual esfera do governo estão os culpados? Será que não somos nós mesmos que não erradicamos os focos e muitas vezes impedimos a entrada dos agentes de saúde (cerca de 40% deles foram barrados nos portões) que tinham como objetivo destruir os ovos do mosquito? Veja um exemplo desse discurso na charge acima.

 

 

PROPOSTA DE REDAÇÃO SOBRE A DENGUE

O tema da nossa redação da semana é “Como evitar a proliferação da dengue?”. Como afirmei, é muito importante que não fiquemos apenas no discurso, mas ponhamos a mão na massa, ou melhor, nos possíveis focos do mosquito. Leia a coletânea abaixo, observe as instruções e  desenvolva seu texto.

COLETÂNEA DE TEXTOS SOBRE A DENGUE

TEXTO 1

População tem 70% de culpa por epidemia de dengue, diz governo do Rio

Segundo o diretor-adjunto da Defesa Civil, as pessoas não tomam as precauções necessárias. Cerca de 600 homens do órgão estão nas ruas no combate à doença.

 

A Defesa Civil estadual do Rio está com 600 homens nas ruas ajudando no combate à dengue. As informações são do coronel José Sant´Ana Mateus, diretor-adjunto da Defesa Civil estadual.

Ele afirma que os agentes estão, nesta segunda-feira (24) em Curicica, na Zona Oeste, uma das áreas com maior incidência de casos da doença.

Ainda de acordo com o coronel, a população sabe os cuidados que devem ser tomados, mas por uma questão cultural não cumpre.

“70% dos culpados são a própria população que não toma as precauções necessárias, não quer fazer sua parte. Os agentes encontram com freqüência caixas d´água abertas ou quebradas, garrafas com o bocal para cima e vaso de planta sem areia nos pratinhos. Não se pode colocar a culpa nos órgãos públicos, a população tem que ajudar”, explicou Mateus.

Segundo o coronel, as pessoas têm que denunciar possíveis focos do mosquito em terrenos baldios ou casas abandonadas. A população tem responsabilidade nisso, afirma ele.

 

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR82563-6009,00.html

TEXTO 2

Desde a década de 80, quando a urbanização se intensificou no país, os brasileiros convivem com fases de avanço explosivo da doença. Nos últimos 10 anos, mais de 6 milhões de pessoas contraíram o vírus.

A expectativa é que, até o próximo ano, já esteja disponível no mercado uma vacina os quatro sorotipos de dengue. Mesmo assim, a erradicação da doença não deve vir tão cedo, segundo Amaury Dal Fabbro, professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. “O Aedes aegypti se adaptou muito ao ambiente urbano”, afirmou em entrevista.

Para o especialista, não há apenas um culpado para a atual conjuntura. Governo e população têm sua parcela de culpa na expansão da doença. Veja trechos da entrevista que ele concedeu a EXAME.com por telefone.

EXAME.com – Quais as razões para o atual surto de dengue?
Amaury dal Fabbro – O que está acontecendo não é uma novidade. Essa é uma epidemia que se alastra por ondas. Uma hora ela está mais forte em um lugar, outra hora, em outro. Isso acontece de acordo com a presença do vetor e de pessoas que ainda não tiveram aquele sorotipo.

Quais as características do Brasil que favorecem tal recorrência de epidemias da doença?
Por um lado, as temperaturas mais elevadas devido ao aquecimento global têm contribuído para aumentar a população de Aedes aegypti. Paralelamente a isso, temos um processo de urbanização caótico. O terceiro problema é a circulação de pessoas. Quanto mais gente com o vírus circula, maior a probabilidade de você ter contato com vetores.

A crise da falta da água no estado de São Paulo ajuda a entender o cenário?
Pode ser, mas tenho minhas dúvidas. O Aedes aegypti não precisa destes novos reservatórios de água para se proliferar. Mesmo sem crise, já existem recipientes com água suficientes para a proliferação.

O mosquito Aedes aegypti está de fato mais resistente?
Não. O Aedes aegypti é o mesmo. O que existe é uma dificuldade logística para controlar o bicho. Imagine quantos milhões de possibilidades existem para a proliferação do mosquito em uma cidade como São Paulo. Ainda que todos os mosquitos fossem mais suscetíveis a um determinado inseticida, como você chegaria até eles?

Os programas de controle têm um grau de ineficiência reconhecido. Não há condições de estar todo momento na casa das pessoas. Segundo, cerca de 30% dos imóveis que os agentes tentam visitar estão fechados. Só estes já justificam uma manutenção do Aedes. Terceiro, a dificuldade de acesso aos locais. Qualquer inseticida mata o mosquito, o problema é de logística. Para resolvê-lo, precisaria colocar o Exército nas ruas.

Qual é a parcela de responsabilidade do governo?
Toda a sociedade tem culpa. As pessoas colocam culpa no governo e jogam lata de cerveja pela janela, que pode se tornar um criadouro de Aedes. Você tem uma coleta regular do lixo na cidade, mas atira o lixo pelo muro no terreno baldio. A gente tem que colocar na cabeça que este é um problema coletivo.

Nos últimos dias, o Exército começou a ajudar na fiscalização de residências na cidade de São Paulo. Esta medida chega tarde?
Você tem que ter um programa contínuo de controle de vetores, mas a dengue tem uma caraterística de epidemia explosiva, que acelera muito rápido. Quando chega nesta situação, é preciso mobilizar mais forças para dar conta do recado. É isso que ele está fazendo agora.

Na semana passada, o governo federal anunciou o repasse de 150 milhões de reais para os governos locais para lidar com o avanço da doença. Qual a maneira mais eficaz de usar este dinheiro?
Numa situação grave de dengue, você tem que cuidar dos infectados para que eles não tenham complicações.

O que pode ser feito para impedir novos surtos no futuro?
Tem que fazer atividade educativa exaustiva, fiscalização de estabelecimentos, controle de terrenos baldios e inspeção das casas para você mostrar ao morador onde está o problema.

É possível erradicar a dengue?
Não. Estamos chegando a uma situação hiperendêmica, em que a transmissão nunca mais voltará a zero. O único jeito da gente acabar com essa doença seria a vacina que deve sair no ano que vem. Mesmo assim, vai demorar muito. O Aedes aegypti se adaptou muito ao ambiente urbano e tem muita oportunidade de sobrevivência. É muito difícil acabar com ele e, portanto, com a dengue. O que precisamos fazer é tentar diminuir os vetores.

 

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/a-que-se-deve-a-explosao-de-casos-de-dengue-no-brasil

 

Texto 03:

 

Abaixo temos um curta metragem que mostra um pouco da história da dengue no nosso país.

 

 

 

INSTRUÇÕES PARA ELABORAÇÃO DA REDAÇÃO SOBRE A DENGUE

Pesquise. Não se limite à coletânea nem ao discurso que você tem ouvido;
Escreva um texto dissertativo de aproximadamente 30 linhas;
Faça letra legível.
Revise o que escreveu.
Uma das estruturas dissertativas trabalhadas em sala de aula é aquela em que tratamos detemas polêmicos. Nela, apresentamos, no mínimo, um argumento favorável e um contrário. No fim do texto, podemos ou não escolher uma das posições para reforçá-la. Esta proposta de redação é sobre isso. Procure fazê-la com esmero e valorize a argumentação para demonstrar toda sua capacidade argumentativa.

 

 

 

 

 

 

Claudio Bertode

Formado em Letras pela Universidade de Brasília, Cláudio Bertode é Poeta, Cronista e Educador na Rede Pública e Privada do Estado de Goiás.